Muito antes do Mahatma Gandhi (1869-1948), Jesus propagou a não-violência ativa: amar os amigos, desarmar os inimigos!
Não importa se a frase do título acima é de Santo Agostinho ou São Bernardo. Ela sintetiza lindamente a pregação desconcertante de Jesus, no Evangelho lido nesse domingo em milhares de comunidades de fé pelo mundo (Lucas 6, 27-38).
Na época do Nazareno, vigorava a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”. Jesus subverte esse princípio do “troco”, do “bateu, levou” – cada vez mais comum, até hoje.
Propõe a gratuidade radical: fazer o bem sem olhar a quem, responder com amor ao ódio (contendo a espiral da violência), “dar a outra face” (deixando sem graça o agressor, exposto à sua própria estupidez), não fazer ao outro o que não queremos que nos façam. “Amar os inimigos” pressupõe tê-los, reconhecê-los e, sim, docentemente, combatê-los.
Como é difícil! Como é raro sermos misericordiosos (como a bispa anglicana de Washington Mariann Budde pediu a Trump, que ficou irado). Como demoramos em abrir nosso coração aos outros, termos com-paixão!
Dar e dar-se sem esperar nada de volta é romper com a regra mercantil das relações humanas. “Se vocês fazem o bem somente aos que lhes fazem o bem, que gratuidade é essa?” (v. 33).
Não se trata de ser passivo, “banana”, ingênuo: é ser imbuído de entusiasmo amoroso, sem perder o senso de justiça. Não ser dominado pela raiva, inibindo os raivosos. “Amar os inimigos” é tentar afastá-los de seu mundo de trevas, mentiras, golpes, trapaças e sede de poder. É fazer o contrário deles. É exigir que eles paguem pelo mal que fizeram à coletividade, sempre respeitando sua dignidade.
Muito antes do Mahatma Gandhi (1869-1948), Jesus propagou a não-violência ativa: amar os amigos, desarmar os inimigos!
PS: “Caminhemos cantando; que as nossas lutas e preocupações por este planeta não nos tirem a alegria da esperança!” (Papa FRANCISCO, Laudato Si’ – Sobre o cuidado da Casa Comum).
Rezemos por esse mensageiro da Justiça e da Paz (e por todos os que sofrem, como Francisco, solidário, sempre pede).
SAÚDE, IRMÃO!
Autor: Chico Alencar. Também escreveu e publicou no site “As aparências enganam: breve reflexão para cristãos ou não”: www.neipies.com/as-aparencias-enganam-breve-reflexao-para-cristaos-ou-nao/