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Eles testam a anestesia geral

 

A direita está certa de que
não acontecerá nada de mais grave.
Que o Brasil continuará inerte, amorfo, anestesiado.
E, continuando assim, que se prepare então o novo golpe.
O Brasil amorfo talvez não tenha eleição para presidente em 2018.

 

A direita que controla o Brasil, em todas as áreas e instâncias, calibra suas ações pensando nas reações ao que faz. Sérgio Moro avisou que chegou a pensar em mandar prender Lula, mas depois decidiu ser prudente. Poderia haver um trauma político. Foi o que disse na sentença de condenação.

Moro aplicou a dose mais ‘branda’ do veneno que tem à mão, fez o previsível e condenou Lula. Até poderia prender, mas a condenação já seria suficiente para o primeiro teste. Condenou e não percebeu reação fora das redes sociais e de algumas ‘análises técnicas’. Quase ninguém foi às ruas.

E se tivesse mandado prender, o que aconteceria? Moro não quis pagar pra ver, até porque poderia perder o apoio dos ‘liberais’ do meio jurídico, todos tão quietinhos (com as exceções de sempre).

O que importa é que Sérgio Moro, o jaburu, os tucanos, o Ministério Público, todos estão calibrando o que fazem pensando sempre na possibilidade de contestação popular. E não há contestação nenhuma, por enquanto. Há as reações das controvérsias variadas e só.

O jaburu vai manobrando como quer e rearticulando forças táticas, para sobreviver à semana seguinte, porque sabe que não há reação além da virtual.

Ninguém reage a mais nada desde o golpe de agosto. Daqui a pouco, teremos mais um teste, com a revalidação ou não da condenação de Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre. Se a condenação for reafirmada e Lula se tornar inelegível (podendo até ser preso), o que acontecerá? É o que a direita se pergunta.

E a direita está certa de que não acontecerá nada de mais grave. Que o Brasil continuará inerte, amorfo, anestesiado. E, continuando assim, que se prepare então o novo golpe. O Brasil amorfo talvez não tenha eleição para presidente em 2018.

Se a economia reagir, se a Globo conseguir restabelecer seus pactos com quem estiver no poder, se as perspectivas forem de retomada da ‘normalidade’, a direita se dedicará ao grande projeto sonhado desde agosto.

O Brasil não terá Lula, não terá eleições e não saberá mais com o que poderá contar, depois de perder leis trabalhistas, previdência e, quem sabe, até o SUS como existe hoje.

Quem duvidar, quem acha que nada disso seja possível estará apenas repetindo a postura dos que duvidavam do golpe e duvidavam até que o jaburu chegaria ao poder e que o povo continuaria calado.

A direita empresarial e política e a direita do Ministério Público e do Judiciário acham que o povo não é de nada. E o povo não reage e não diz nada que possa fazê-los pensar o contrário. Seremos governados pelo pato amarelo.

Aonde a mala leva?

 

A mala, que a princípio teria apenas utilidade, passa a necessitar de estética.
Por estética, transformamos casas em lares, camas em aconchego,
mesas em ceia, roupas em moda, cidades em centros urbanos.
Pela estética o útil serve-nos do belo e a existência pinta-se de vida.

 

O que seria uma boa mala? Resposta masculina: uma boa mala deve ser grande, forte, capaz de guardar e proteger muitas roupas. Deve ter uma alça fácil de pegar, reforços. Para terminar, uma boa mala deve ser barata. Nenhum homem gostaria de gastar muito numa mala. Para carregar as roupas, serve qualquer sacola de supermercado.

As mulheres têm o dom de transformar coisas úteis e simples, em belas e complexas.

A mala, que a princípio teria apenas utilidade, passa a necessitar de estética.

Minha mulher me ensina que uma mala precisa de beleza e costuras bem-acabadas. Forro, várias entradas para a separação das roupas segundo fios e texturas, por cores e turnos de uso. Um espaço para meias, cuecas e calcinhas, perfumes…

Uma mulher revela pequenas importâncias. Cor e forma, rodinhas de silicone, costuras bem-acabadas e zíperes com dupla abertura. Detalhes fundamentais das malas boas.

De mala leve, sua viagem será muito mais alegre e feliz porque a felicidade não é uma coisa grande e pesada. A felicidade é um monte de coisinhas que nos tornam mais próximos uns dos outros, mais companheiros, satisfeitos com aquilo que temos e, sobretudo, com aquilo que somos”. (Rosane Rupolo Mendes, 09/02/2017)

 

Duas semanas pesquisando os preços, analisando cores e tamanhos, tecidos, costuras, bolsos e alças. Por fim, a compra que eu pensara finda em cinco minutos, apesar de toda a pesquisa, gastou-me cinco horas de uma tarde. Além do tempo, a mala consumiu dinheiro equivalente ao pacote da viagem.

O sentido estético não é apenas feminino, é inerente ao ser humano como os detalhes das malas, embora nas mulheres, por motivos óbvios, adquiriu ênfase próprio. Até minha mãe, simples cabocla e camponesa, almejava a beleza em seus feitos.

Intuitivamente criava formas geométricas com o milho, a beterraba, o tomate, a couve e a cenoura. Sobre as gastas tábuas de grápia da mesa, dispunha as comidas e cores, os pratos e a toalha, em paisagem única.

O que era apenas para encher a barriga, ultrapassava a função e utilidade. Entre o chiqueiro e a estrebaria, a beleza também desfilava na roça. Embora analfabeta, além da cultura do milho e das favas, ensinava-nos outra.

Por estética, transformamos as casas em lares, as camas em aconchego, as mesas em ceia, as roupas em moda, as cidades em centros urbanos.

Pela estética o útil serve-nos do belo e a existência pinta-se de vida.

Pelo gosto estético nos apaixonamos pela fada e não pela bruxa, damos corte e não tosa ao cabelo, as aberturas passam a ser janelas, os bancos viram poltronas. Por estética o agarramento torna-se abraço e a mordida beijo.

A estética transmuta o animal humano em pessoa, o pedreiro em arquiteto, a costureira em estilista, o anunciante em publicitário, a lei em Direito, a religião em espiritualidade, o narrador em escritor, o professor em mestre, o asceta em santo, o barulho em música, a pedra em mármore, a estrada em caminho, o sexo em amor, um lingote de ferro acorda numa manhã feito escultura.

 

Em outro artigo, o autor fala também da importância da arte: “Falta sensibilidade nas escolas porque falta arte. E quando a arte está presente, é mais como conteúdo, não como fruição. Com pouca arte, há pouco humanismo nas escolas, há pouco afeto, há pouca ternura”.

Escolas desencantadas

 

A estética invadiu a disposição das frutas no supermercado, as impressoras e os computadores, as fábricas e os tambos.

Pela estética sumiu a palidez dos cadáveres, os cemitérios tornam-se jardins de paz.

Graças à estética, descobri, ao lavar as mãos para digitar esta crônica no notebook, (recomendação do manual) que o sabonete aqui do hotel, em tons de azul, combina com as toalhas e os azulejos, com o tapete e as cortinas e, pasmem, com os tons da polêmica mala, motivo de discórdia da viagem.

 

Mulher não é isca!

A diferença de preço no ingresso das festas é reflexo de uma sociedade que
fomenta a cultura machista, reforçando papeis de gênero e a relação de poder.
O homem é o provedor e por ter independência financeira, deve pagar mais.

 

Oferecer preços mais baixos e até gratuidade para as mulheres nas baladas é prática comum em todo o território brasileiro e virou pauta de discussão nas últimas semanas, quando a juíza do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Caroline Santos Lima, declarou não haver dúvida de que “a diferenciação de preço com base exclusivamente no gênero do consumidor não encontra respaldo no ordenamento jurídico”.

A magistrada afirmou ser inadmissível que os empresários usem a mulher como espécie de “insumo” para a atividade econômica, “servindo como ‘isca’ para atrair clientes do sexo masculino para seu estabelecimento”.

Como há muito tempo as feministas já alertavam, essa prática é ofensiva à dignidade das mulheres.

Em outro artigo publicado no site, a autora descreve situações rotineiras onde a mulher ainda é vista como objeto sexual dos homens, sendo constrangida e desvalorizada na sociedade pelo simples fato de ser mulher.

Todo mundo quer ser mulher?

 

Essa diferença de preço no ingresso das festas é reflexo de uma sociedade que fomenta a cultura machista, reforçando papeis de gênero e a relação de poder. O homem é o provedor e por ter independência financeira, deve pagar mais. Ele ainda é estimulado a conquistar várias mulheres, “pois esse é seu instinto natural”.

A mulher seria o produto pelo qual o homem está pagando e do qual pode usufruir durante a festa. Vale lembrar que é esperado que a mesma aceite os carinhos/bebidas/contatos oferecidos pelo homem, que pagou a mais para estar naquele lugar e inclusive permite que ela esteja ali.

As desculpas são várias. Elas bebem menos. Elas gastam mais para se arrumar. Elas precisam ser valorizadas…, mas a verdade é que as mulheres servem sim como isca para encher o estabelecimento de homens, já que se parte do pressuposto que quanto maior o “leque” de mulheres disponíveis nas festas, melhor para atrair muitos homens que querem tentar levar alguma para casa.

De fato, boa parte das mulheres não se importa com a diferenciação de preços e muitas defendem o valor diferenciado. Todavia isso só acontece por não terem a consciência de que essa é uma forma de perpetuar a desigualdade e a objetificação da mulher.

Essa diferenciação de preço é um efeito de algo muito maior e só faz sentido porque existe a naturalização do sexismo dentro da sociedade.

 

Em artigo publicado no site, professor Nei Alberto Pies afirma: “Sou solidário das lutas feministas. Além de solidariedade, quero dividir convicção de que o conhecimento, a valorização e a participação ativa na vida da sociedade são as mais importantes ferramentas para enfrentar a discriminação e a violência a que são injustamente submetidas mulheres do Brasil e do mundo.

Em homenagem às mulheres, assumamos: somos machistas!

 

O Ministério Público do Distrito Federal abriu inquérito civil público para apurar a prática e poderá promover uma ação coletiva.

Ao instaurar a investigação, o promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski se pronunciou referenciando de um debate semelhante que ocorreu no estado norte-americano de Nova Jersey, nos anos 1990, e que o caso foi pacificado com a criação de uma lei para proibir os preços diferenciados com base no gênero.

Ao mesmo tempo já tramita no Congresso Nacional um projeto de lei apresentado pelo deputado Marcelo Squassoni (PRB-SP) que prevê a punição para empresas que tiverem variação do preço de entrada e de consumação em boates e eventos com base em sexo, gênero ou identidade. O projeto está em fase inicial de tramitação e, se aprovado, ainda precisa passar pelo Senado.

A criação de uma jurisprudência sobre o caso se mostrou a forma mais eficaz de combater as práticas abusivas há tanto tempo apontadas pelas feministas.

Um grande passo.
Sigamos.

 

A luta, o raciocínio e o sentimento

 

Apresento-me através destes dois textos crítico-poéticos.
A escrita, para mim, resulta sempre da necessidade
de comunicar o que vivo e o que sinto,
em cada contexto e momento histórico.

 

A luta, o raciocínio e o sentimento

Quero ser aquele que pensa, mas que também sente.
Aquele que vive da fusão do coração e da mente.
Para lutar, o raciocínio, que me faz olhar pra frente.
Para lutar, o motivo, que me faz perceber essa gente.

Essa gente é o coletivo, que num abraço me faz vivo.
O coletivo me faz forte, e à luta me confere suporte.
Mas raciocinar não é o bastante.
Para uma luta ser interessante, é necessário o “sentir” constante.

O próprio ato de sentir e raciocinar parecem contradição.
Mas quando a razão se divorcia do coração.
Somos apenas cabeças que rolam pelo chão.
Ou sentimentais irremediáveis vivendo na ilusão.

E quando o caminhar é acompanhado, sentido e pensado.
As marcas que deixamos são por mil multiplicadas.
Então todo o esforço de pensar e sentir que foi rebuscado.
Revelará os contornos do triunfo por luta forjado.

 

A consciência de um homem

De que vale a (cons)ciência de um homem?
Se a tirania como essência lhe consome.
No ato do respeito o homem se liberta.
E a resposta à estupidez, com ternura, desconcerta.

O homem colérico tem como carma o delírio.
E como impulso raivoso crava na alma o estírio.
Ao mito de Narciso, não se permite igualitário.
Agradeço à Natureza ter me feito revolucionário.

Para ser um socialista não existe melhor idade.
A intimidade nesse caso é com a tal Capacidade.
Ao olhar meu semelhante me desnudo da vaidade.
Refuto minha imagem como modelo ou santidade.
Reconheço os humanos como palco da diversidade.

Não que ser socialista, seja mais, ou seja, menos.
O ato de rotular é que nos torna pequenos.
O sufixo “ista”, diz a regra, indica ideia radical.
E só quem te defende, tem nas veias sangue sindical!!

A poesia é necessária à rotina das pessoas. Costuma-se dizer que a arte revela a realidade. Na verdade, ela inventa. A arte existe porque a vida não basta. O homem está sempre querendo que a vida seja mais bela do que ela é.” (Poeta Ferreira Gullar)

 

Sem brilho nos olhares das nossas crianças!

 

“Se não vejo na criança uma criança,
é porque alguém a violentou antes
e o que vejo é o que sobrou de
tudo o que lhe foi tirado.”
Betinho

 

As inserções que vemos na TV como as do Médicos sem Fronteiras por ajuda, deixam-nos devastados de dor, por vermos campos de refugiados e cenas de guerra onde crianças morrem ou apenas sobrevivem por causa da fome, das doenças, das epidemias e da violência. São retratos da brutalidade com que os pequenos são tratados em nome da conquista por território, pelo fanatismo predador e pelas decisões de adultos indiferentes ao sofrimento de milhões de criaturas que arrastam sua desgraça pelo mundo.

Ninguém é igual a ninguém! (versão Crianças)

 

Herbert José de Souza (Betinho) morreu antes de ver que os nossos pequenos compatriotas estão, em grande medida, perdendo o brilho no olhar por causa do medo. Nosso país onde a vastidão territorial nos oferece tudo é um campo de guerra de uma crueldade camuflada. Vivemos uma matança pior do que em guerra declarada, o que disfarça nossa condição de um país pacífico. A infância brasileira está sendo vampirizada pelo crime organizado, em todas as suas dimensões.

Herbert José de Sousa (Betinho)

Ninguém ignora os crimes do tráfico de drogas alimentados pela teimosia fundamentalista em não aceitar formas inteligentes de combate, preferindo encarcerar homens e mulheres pobres, enquanto jatinhos e helicópteros singram os ares pátrios transportando produtos cujos donos são também os donos do país, na medida em que ocupam cargos capazes de decidir sobre os nossos destinos.

Também não ignoramos a rapinagem vergonhosa e institucionalizada, que deixa as escolas em estado de penúria, os hospitais sem condições de atendimento digno, os professores em estado de permanente luta pela sobrevivência e, cansados, doentes, sem condições de oferecerem o que têm de melhor, que é o exercício da profissão em sua plenitude. Sabemos da incapacidade que as instituições de saúde e de educação têm de cuidar da nossa infância como merece. Hospitais e escolas funcionam em permanente precariedade.

Sabe-se agora dos conluios entre empresas de transporte público e o poder. Enquanto o povo é transportado em carroças, pagando valores irreais, deputados são pagos pelos donos das sucatas para aprovar mais aumentos, à revelia dos direitos do povo de ir e vir. Segundo empresários do setor, estão sendo achacados pelos poderes legislativos pelo país afora.

As balas perdidas que matam crianças dentro de casa e nas escolas partem da guerra entre bandidos e polícia, deixando em seu rastro famílias destroçadas, que choram a perda de seus filhos e outras devastadas pelo medo.

“A alma da fome é política.” Esta frase é do sociólogo Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, homenageado desta semana no De Lá Pra Cá.

 

Os direitos das crianças, incensadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, são usurpados de norte a sul, por canalhas incensados pelas urnas, ou alçados ao poder por práticas no mínimo questionáveis.

Vivemos tempos de guerra, cujo campo não respeita as ruas que rugem por justiça social, onde as balas de borracha zunem, o spray de pimenta machuca e os cassetetes desrespeitam professores, funcionários com salários atrasados, enquanto a roubalheira corre solta.

Urge que cuidemos da infância, para que não tenhamos só o que sobrou dela, mas que ela seja preservada. Nossa luta pelos nossos filhos destoa da atitude presidencial em sua viagem a Hamburgo para uma participação relampado no G20, que, por não querer parar nas Ilhas Canárias para reabastecer o avião, resolveu voar em um avião maior, infinitamente mais caro, o que é um deboche a um país em crise. Isto é uma demonstração simbólica do que o Estado faz pelo país.

Queremos sorrisos, tranquilidade, comida boa, lazer, escolas bonitas e seguras, professores e professoras cuidados e bem pagos, condições dignas de transporte público, pais confiantes e crianças cujo brilho não tenha sido roubado. É pedir muito?

É difícil concluir que tudo isso é possível, desde que o fruto do nosso trabalho não seja roubado sistematicamente. Nós merecemos! Nossos filhos merecem! E as ruas exigem cada vez com mais veemência!

Para falar sobre felicidade, convidamos quem é pós-graduado no assunto.
As grandes transformações acontecem quando olhamos o mundo pelos olhos das crianças.

 

Vidas abandonadas

O progresso, que na modernidade nasceu sob o
slogan de mais felicidade para o maior número de pessoas,
atualmente, na mão do mercado, revela a
necessidade de menos pessoas para
manter o movimento e atingir o topo.
É compreensível que a “geração x”
sofra de depressão.

 

Atualmente, a chamada “geração x”, nascida na década de 1980, nos países desenvolvidos, experimenta sofrimentos desconhecidos pelas gerações anteriores. Um indicativo é o alto índice de depressão que atinge esta geração. O provável diagnóstico é o desemprego ou a baixa expectativa de trabalho para os recém-formados, que ingressam no mercado que, por sua vez tem como única preocupação aumentar os lucros.

Conforme descreve o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o desemprego criou uma parcela gigante de “redundantes”, de seres desnecessários, denominado por Giorgio Agamben de homo-sacer.

O mais emblemático é que quem “perdeu o carro do progresso” (não se inseriu no mercado de trabalho) está cada vez mais afastado de “nosso meio”, e as trilhas que poderiam levá-los de volta se apagam com o passar do tempo.

 

As diferentes gerações que trabalham, estudam e vivem juntas atualmente é a pauta deste Ponto de Encontro. O tempo que define uma geração, já chegou a ser de 25 anos. No entanto, com as rápidas mudanças tecnológicas, atualmente, pode-se considerar que este tempo já é de 10 anos.
Para conversar sobre o tema, a jornalista Leila.

 

Somado a isso, vivemos um fenômeno que podemos chamar de “mal-estar da democracia contemporânea”, uma democracia esvaziada de povo, claramente, uma política a serviço do mercado, que a qualquer menor sinal de organização, que tenta enfrentar sua atual conformação é tomada por medidas autoritárias. Por isso o filósofo Giorgio Agamben pode afirmar que entre democracia e totalitarismo há uma contiguidade.

Seria tolice pensar que os “grandes ricaços” necessitam do Estado de Direito Democrático quando são eles que, de fato, fazem os processos econômicos e políticos em seu proveito.

Sobre essa tese, o estudo lançado pela Oxfam, em 16 de janeiro de 2017 é claro: o patrimônio de apenas oito homens é igual ao da metade mais pobre do mundo e 1% da humanidade controla uma riqueza equivalente à dos demais 99%. Este é o Estado de Direito Democrático que temos e que diz buscar a efetivação da justiça social. Esses dados são importantes até mesmo para compreendermos as causas e significados da violência e da criminalidade.

Hoje, os teóricos do campo da criminologia tendem a consensuar que a violência e a criminalidade são frutos da desigualdade social. Países na qual a desigualdade foi superada os índices de violência caíram significativamente.

Esses dados do relatório de Oxfam revelam a impotência do Estado frente à economia. O engraçado é que o Estado é fraco como instância de decisão e formulação de políticas, mas forte como gestor de população (biopoder), como dispositivo de controle social.

De um lado temos o Estado máximo na economia e mínimo na política. Esta é a chamada “racionalidade neoliberal” que silenciosamente trabalha para neutralizar as práticas verdadeiramente democráticas. Nessa perspectiva, toda organização popular que luta por direitos é encarada pelo mercado (o verdadeiro soberano), como ameaça que precisa ser contida, eliminada.

O engraçado é que essa racionalidade ganha adesão até mesmo dos pobres por conta da utilização de sofisticadas técnicas de manipulação de informações, o que não seria possível sem o contributo da grande mídia que, por óbvio está a serviço do capital financeiro.

O progresso, que na modernidade nasceu sob o slogan de mais felicidade para o maior número de pessoas, atualmente, na mão do mercado, revela a necessidade de menos pessoas para manter o movimento e atingir o topo. É compreensível que a “geração x” sofra de depressão. É claro que interessa ao mercado que uma parcela desses sujeitos fiquem para trás.

 

Trabalho apresentado através de vídeo com curta duração para explicar o que é a geração X para a disciplina de “Antropologia Aplicada a Gestão” no Curso de Administração.

 

Como descreve Richard Rorty, a preocupação do mercado é que haja um número suficiente de lixeiros e coletores de dejetos que nosso modo de vida produz todo o dia, ou um número suficiente de pessoas que sujem suas mãos limpando nossas privadas. Diante desse contexto cabe ao intelectual desvelar o caráter ideológico e os interesses que se nutrem dos processos sócio-econômico.

Dez teses sobre o Brasil

Um

O Papa é argentino e Deus não pode ser brasileiro, não depois que o Temer, aquele senhor que foi ao exterior para nos tornar menores, declarou que foi Deus que o colocou lá.

 

Dois

Hannah Arendt, um gênio do pensamento sutil, disse que o poder político é a capacidade de um povo agir em conjunto para ajudar a uma comunidade histórica fazer a sua história. Se ela tivesse pensado a partir do Brasil, teria sido menos idealista.

 

Três

Vivendo no Brasil a gente pode ser perguntar: como pode os povos nórdicos europeus acharem graça em viver num lugar em que tudo dá certo?

 

Quatro

Somos uma democracia racial e um povo cordial. Faltaria sangue espanhol ou inglês nas nossas veias abertas brasileiras para aceitarmos tudo como cordeiros?

 

Cinco

Talvez sejamos o único lugar do mundo em que quando um sujeito tem um empregado trabalhando para si, já pensa que faz parte da burguesia.

 

Seis

Se Aristóteles fosse brasileiro jamais teria dito que no meio está a virtude. Teria dito, antes disso, que no poder estão os medíocres (inclusive na linha sucessória).

 

Sete

É de Marx a célebre frase: nós humanos fazemos a própria história, mas não a história que queremos. Aqui, no Brasil, a vocação histórica para os golpes parece uma força motriz de destinação.

 

Oito

No Brasil os três maiores filósofos pop (Cortella, Pondé e Karnal) fazem sucesso criticando a literatura de autoajuda, dando palestras e escrevendo livros para cidadãos ávidos para ouvir, ler e rir das frases de autoajuda.

 

Nove

No Brasil se ridiculariza o politicamente correto para se ter o direito de fazer piada contra gay, negros e pobres. Os críticos do politicamente correto pensam que são inteligentes defendendo o politicamente incorreto.

 

Dez

No Brasil os comunistas e marxistas defendem a democracia e os direitos humanos e os liberais são conservadores e não dão um passo em defesa da Democracia, a não ser quando as oligarquias se sentem ameaçadas, aí dão golpe em “favor” da democracia.

 

Brasileiros são os outros. Brasileiros são religiosos, movendo-se em torno da Bola, da Bunda e do Bumbo. Confira!

 

As nuvens não são de algodão?

 

Não sou perfeito, no entanto acredito que professor
tem de ter uma postura diferente, mesmo que
outros pensem que não e que ser mestre
não é apenas quando se está numa sala de aula.
Acredito, também, que nuvens ainda são de algodão.

 

Embora muitos poetas e filósofos já tenham escrito sobre as reflexões da vida ao longo do avanço da maturidade do ser humano, nunca se torna demasiado trazer mais uma que hora se exprime o que sentimos, porém o que se diga corresponde o que de fato penso neste momento de minha vida.

Dessa forma, começo uma trajetória reflexiva a partir dos cinco anos de vida que, muito cedo, sabia que queria ser professor e acreditava nisso como algo incontestável e imutável. Aquilo estava claro como um relâmpago num dia de tempestade. Dessa forma, desenhava-se um parâmetro de mestre, de educador em minha mente que, a meu ver, não poderia ser diferente.

Salientando no meu mundo idealizado e utópico que ara ser professor deveria ter os exemplos dos mestres, que deveria fazer o que, de fato, proferia. Isso dentro e fora do âmbito escolar. Para minha formação e confirmação quando comecei a ir à escola minha primeira professora fez com que eu comprovasse isso, sendo uma pessoa íntegra de atitudes e de seguimento prático escolar e social. Para frisar ainda mais o que eu acreditava e pensava.

Conheci o pai da minha professora, um senhor que sempre admirei, também professor, respeitado, um exemplo de pessoa, inclusive na linguagem que usava e seguia. Com o passar dos tempos a minha teoria de que era ser professor estava se confirmando e a cada dia eu dizia pra mim mesmo, é isso que eu quero. Desde já eu preciso trilhar esse caminho.

Quando eu crescia e via muitos professores meus, eu tentava me espelhar neles porque era o que eu almejava, mesmo sendo filho de pequenos agricultores e que na realidade vivida seria difícil conseguir estudar para ser um educador. Porém, o sonho era bem maior que toda a dificuldade que se apresentava.

Quanto mais pessoas eu conhecia, mais meu mundo se ampliava, se expandia. Meus horizontes se esperançavam quando entrei na universidade de Passo Fundo e conheci uma professora chamada Marlete que mostrou que o mundo em qualquer profissão pode ser humano e é possível enxergar o ser humano como seu semelhante, mostrou-me que “… as nuvens eram de algodão…” .

Eu me via nela, pensava: “quando eu for professor formado, quero ser como esta pessoa, levando a humildade e humanidade, sempre. Assim conheci vários professores, de diversas disciplinas, pessoas de muitas outras profissões: enfermeiros, médicos. Meu parâmetro nunca se desmoronou.

Até quando o mundo hipotético me mostrou a face decepcionante. Percebi professores formados na área de biologia que fumavam. As perguntas vieram à tona. Como pode um professor que discrimina o conhecimento biológico e sabe como funciona o organismo do ser vivo e as causas que provocam o abalo desse organismo, se autodestruindo? Aquilo não cabia no mundo estereotipado por mim.

Hoje encontro referência metafórica numa música dos Engenheiros do Hawai, Somos quem poder ser. Nesse texto, segundo Gessinger (1986):

“Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração…”

 

Porém, meu mundo desaba mais um pouco quando vejo pessoas que ficaram 4 ou 5 anos dentro de uma faculdade para conhecer melhor o corpo humano e para ajudar aliviar várias moléstias que o ser humano enfrente quando estamos debilitados, enfermeiros. Imagina o grau da missão que eu imaginava que deveria ser e ter para mostrar o que aprendeu. Esta pessoa aparece com um cigarro na mão. O que dizer? Esse não é o mundo que eu imaginei?

Então me reporto novamente ao mesmo autor, Gessinger (1986):

“[…] Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter…”

 

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão…” Quando vi médicos que tem a profissão neste mundo para cuidar da saúde dos outros seres humanos. Perguntava-me: Como estão com o cigarro na mão? Que ensinamento pelo exemplo pode dar? Porque não venham me dizer que o exemplo não educa, educa sim. Mais do que as palavras.

 

Criança vê, criança faz!

 

Agora o que dizer, quando, há poucos dias atrás, vi numa rede social um professor fazendo apelo e defendendo a liberação da maconha. O professor, por mais que a sociedade evoluiu, continua formando opinião e está na frente da vitrine.

Qual a concepção da vida que este professor tem? Talvez a vida tenha outro conceito. Talvez um conceito paradigmático, porque vida significa proteção, defesa.

Nesse contexto pode ser a morte. E Gessinger (1986) diz ainda:

“Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum…”

 

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão…” Todavia, continuo firme de que elas podem ser sim. Continuo acreditando no que a minha professora me ensinou pelas suas atitudes e eu tento ser o mais exemplo possível. Não sou perfeito, no entanto, acredito que professor tem de ter uma postura diferente, mesmo que outros pensem que não e que ser mestre não é apenas quando se está numa sala de aula.

Somos quem podemos ser, Sonhos que podemos ter… E teremos!

Vídeo motivacional para professores e professoras.

 

Referências

GESSINGER, Humberto. Somos quem podemos ser. Disponível em:<http://www.vagalume.com.br/engenheiros-do-hawaii/somos-quem-podemos-ser>.

 

 

 

 

A educação como horizonte!

A tensão inevitável entre aproximação e distanciamento oferece-nos uma ideia clara da dimensão inesgotável do processo formativo: quando pensamos que estamos formados, ou seja, quando pensamos ter alcançado os limites do horizonte, percebemos o quanto ainda precisamos aprender e o quanto o caminho ainda estar por ser trilhado.

 

A educação ocorre na sociedade. Possui função social, sendo força decisiva na socialização dos seres humanos. Não ocorre fora do grupo social, o qual, dependendo de como se originam seu hábitos e costumes, proporciona a formação construtiva e saudável do espírito infantil. Deste modo, o grupo social torna-se força propulsora da boa socialização, tanto do educador como do educando.

Se é no âmbito da sociedade e dos grupos sociais que pode ocorrer a boa socialização do sujeito educacional, então é preciso se atentar para os padrões ou medidas das formas de vida e dos grupos existentes na sociedade. Ou seja, Dewey exige aqui, no âmbito do capítulo VII de Democracia e Educação, a reflexão sobre as referências normativas para pensar o papel formativo que os grupos desempenham na socialização dos indivíduos. Quer dizer, com isso, que a educação não pode abrir mão da pergunta pelo tipo de ser humano que pretende formar.

Quem educa, deixando-se educar, o faz guiando-se pela inquietação sobre o educando que almeja formar.

Quando Dewey emprega a expressão “medida”, ele está pensando na referência normativa que precisa orientar a ação pedagógica e que precisa estar na base da relação entre educador e educando.

No entanto, o tema da referência normativa não é muito tranquilo no âmbito das teorias educacionais contemporâneas. Movidos pela força da cultura pedagógica relativista e pela crítica pós-moderna à normatividade, algumas teorias negam sua importância. Chegam mesmo acusá-la de autoritarismo porque impõe ao educando o modelo de ser humano que pretendem formar.

Isso significa, na prática, se tal objeção procede, que o adulto estaria impondo à criança o tipo ideal que gostaria que ela fosse; que o professor determinaria de fora o tipo de aluno que seu educando deveria ser. Por isso, toda a discussão sobre a referência normativa precisa enfrentar esta objeção de autoritarismo.

No caso específico de Dewey, a questão torna-se ainda mais interessante porque ele recorre à noção de medida no campo educacional, mesmo sendo um defensor convicto do vínculo estreito entre educação e democracia.

A pergunta que salta aos olhos é a seguinte: é possível defender uma educação democrática e ao mesmo tempo requisitar para a educação um padrão ou medida?

Então, é preciso considerar que o risco inerente à referência normativa é que ela pode descambar facilmente para o autoritarismo, impedindo o espaço necessário de autocriação e de busca progressiva do educando pela sua autodeterminação.

Quando imposta, a referência normativa torna-se uma camisa de força, cerceando a liberdade de movimentos e ações. Tornando-se impositiva, a medida não forma, mas deforma, criando educandos passivos e obedientes.

Será que toda a referência normativa ou toda a medida é autoritária?

Penso que não. Eu seria ainda mais enfático ao afirmar que não há educação sem referência normativa, que descortine minimamente o horizonte educacional no qual se pretende chegar.

Neste sentido, a própria metáfora do horizonte já é por si mesma muito instrutiva para tratar da referência normativa ou da introdução da medida no campo educacional. Não denota, pois, a imagem de um lugar no qual podemos chegar e nem um objeto que podemos nos apropriar com nossas mãos, objetivando-o como se objetiva um pedaço de madeira ou como se mede o cumprimento de uma mesa.

Antes disso, o horizonte representa a ideia de processo e movimento que se modifica quando nos aproximamos dele: quanto mais nos aproximamos do horizonte, mais ele nos escapa, pondo-se ainda mais à nossa frente. Contudo, paradoxalmente, é justamente no seu aspecto inapreensível que aprendemos educar nossos sentidos, especialmente na perspectiva de nos colocarmos diante das coisas.

Esta tensão inevitável entre aproximação e distanciamento oferece-nos uma ideia clara da dimensão inesgotável do processo formativo: quando pensamos que estamos formados, ou seja, quando pensamos ter alcançado os limites do horizonte, percebemos o quanto ainda precisamos aprender e o quanto o caminho ainda estar por ser trilhado.

Pedro Demo enfatiza a pesquisa como uma ferramenta fundamental no desenvolvimento da aprendizagem, que leva o aluno a ser pesquisador, crítico e que consolida suas aprendizagens.O cérebro necessita de desafios pra elaborar novas estratégias ou formas de mudança na sociedade. Aluno pesquisador gera ser transformador.

 

Compreendida como horizonte, a referência normativa torna-se exemplarmente formativa, tanto ao educador como ao educando. Significa, para o educador, que o que ele sabe e precisa ensinar ao educando não é toda a verdade.

Sua experiência, embora consistente e amadurecida, não consegue alcançar definitivamente o horizonte, permanecendo sempre parte do caminho a ser percorrida. Embora saiba muito, o professor nunca sabe tudo e, quando mais consegue compreender com profundidade o significado da infinitude do horizonte, mais percebe a vulnerabilidade de sua própria condição. Ao experienciar sua solidão cósmica, se autocompreende em sua pequenez, percebendo que o sentido de sua existência brota de sua interdependência com os outros e com as coisas.

Para o educador, de outra parte, a referência normativa como horizonte abre-lhe o espírito para as enormes possibilidades de crescimento que a relação com seu educador pode lhe proporcionar. Da postura humilde de seu educador, o educando aprende a paciência necessária para seu próprio processo formativo.

A postura aberta do educador permite-lhe diferentes olhares para o mesmo tema, construindo formas de vida elásticas, próprias para enfrentar situações diferenciadas.

Dewey visualiza, no capítulo VII de Democracia e Educação, estas dificuldades e compreende, de maneira aberta, a busca pela medida educacional, quando diz que é preciso evitar dois extremos.

Primeiro, não podemos determinar uma sociedade ideal tirando-a apenas de nossas cabeças.

Segundo, também não podemos basear nossos ideais única e exclusivamente na realidade existente. Ou seja, nem só o ideal e nem só o real, mas a tensão entre ambos é que deve constituir a referência normativa, a medida educacional para orientação da formação humana e, especificamente, a relação pedagógica entre educador e educando.

O capítulo VII da referida obra oferece uma bela afirmação que eludida bem a posição de John Dewey: “O problema consiste em extrair os traços desejados de formas de vida em comunidade que realmente existem e empregá-los para criticar os traços indesejáveis e sugerir sua melhora”. Deste modo, a medida deve brotar da tensão que constitui a própria realidade entre traços desejados e traços indesejáveis. Ela brota do interesse inerente à realidade, voltando-se contra o indesejado nela existente.

Saber extrair e saber empregar constitui o duplo movimento da medida que torna a referência normativa indispensável à educação. Extração e emprego tornam-se formativos enquanto medida educacional na medida em que também forem pensados como horizonte. Nesta perspectiva, não há possibilidade de extração completa e nem emprego plenamente eficiente porque algo sempre fica inapreensível. Há sempre algo a ser descoberto; há sempre uma parte do caminho a ser percorrido!

Este duplo movimento de crítica e de reconhecimento é feito por um sujeito educacional que pensa sempre inserido, ele próprio, em uma determinada realidade.

O horizonte só pode existir e adquirir sentido porque há uma terra sólida, elevada, que o sustenta, possibilitando que sujeito, pisando em solo firme, possa vê-lo em sua amplitude e extensão.

 

Por que ser ético?

Paulo César Carbonari, professor do Instituto Superior de Filosofia Berthier (IFIBE) e militante de direitos humanos no Brasil, faz importantes reflexões sobre o significado da ética em nossa vida cotidiana. Partindo de uma concepção de que somos seres em relação, o professor afirma que a humanidade está nas mãos dos seres humanos. Somos abertos, inconclusos, podemos sempre ser diferentes e mais do que somos. Ao mesmo tempo que pode estar na perspectiva de potencialização e afirmação positiva, a humanidade pode também estar na perspectiva da destruição e dominação de uns sobre os outros.

Por vezes, ao invés de ética, somos impelidos a agir mais por etiqueta do que por ética. Agimos mais por aparência ou imposição das conveniências.

 

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