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VII Colóquio Nacional de Direitos Humanos: Passo Fundo, RS

O Colóquio Nacional de Direitos Humanos tem uma trajetória consolidada como espaço aberto, plural e amplo de reflexão sobre concepção, fundamentação e realização dos direitos humanos. É momento de fortalecimento de parcerias e de ampliação do envolvimento de diversos agentes sociais, políticos, culturais e educacionais a fim de qualificar a atuação em direitos humanos.

Visite o site do evento clicando aqui.

 

Considerando o contexto do debate sobre direitos humanos, o VII Colóquio debate os direitos sociais em razão da conjuntura de retrocesso e de ataque a estes direitos. Nesse sentido, o Colóquio tem como objetivos:

  • Debater de forma ampla, aberta e plural os direitos sociais como direitos humanos a fim de sensibilizar e comprometer com o enfrentamento dos retrocessos impostos pela conjuntura restritiva e a afirmação das lutas de resistência dos diversos sujeitos de direitos;
  • Refletir sobre os fundamentos, as estratégias e as dinâmicas sócio-políticas para a promoção da resistência política e para a organização pela efetivação dos direitos sociais;
  • Subsidiar o desenvolvimento de práticas sociais, políticas e educativas pautadas pelos direitos humanos na perspectiva do compromisso com a luta pela efetivação de direitos;
  • Desafiar à construção permanente de processos educativos e ações públicas pela participação e pela realização dos direitos humanos.

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Mais sobre o evento

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Fonte: CDHPF

Não é crime lutar pelo Brasil e pela democracia

lutar_democracia

 

A democracia que temos já não tem política.
Nela, o futuro se ausentou porque
as palavras não autorizam expectativas.
Será preciso reinventá-la, entretanto,
antes de desesperar.

 

Há tempo que a criminalização daqueles e daquelas que lutam por melhores condições de dignidade humana vem sendo denunciada no Brasil e no mundo. É inaceitável, numa democracia, que a violência instituída (violência policial) seja aceita como normal e necessária.

O Estado, instituído como guardião dos direitos, viola os mesmos quando reprime, violentamente, através das ações policiais, aqueles e aquelas que, pacificamente para buscar educação, terra, trabalho, saúde, segurança, lazer.

Ordem, associada ao progresso, move o imaginário daqueles que tem a ilusão de uma democracia ideal e pura. Mas a democracia acontece nas contradições, na dureza da cidadania cotidiana, difícil de ser construída. Nem todos estão convencidos de que a democracia pode conviver com uma “certa desordem”.

Em artigo publicado no Jornal Zero Hora, Nei Alberto Pies se posiciona sobre os desdobramentos do momento histórico brasileiro: “Descobrimos que somos também um país corrupto e onde corrupção passou a ser institucionalizada como prática de Estado, não só de governos. Onde grandes empresas, pelo menos nos últimos 30 ou 40 anos, mandam e desmandam os destinos de nosso país, associando-se a políticos das diferentes matrizes ideológicas para perpetuar seus enormes interesses econômicos. Todo mundo sabe da saturação da gente com o problema da desonestidade e corrupção. O problema não está em noticiar sobre o tema (afinal se este não é tema relevante, qual será?). A questão é noticiar todo dia como se fossem novas e mais sofisticadas formas de corrupção, quando sabemos que estão falando “mesmo do mesmo”. Veja mais aqui.

 

Como já escreveu Juremir Machado da Silva, “não existe democracia sem caos, confusão, entropia. A democracia é o sistema do dissenso. Na verdade, a democracia é um equilíbrio instável de ordem e desordem. Em alguns momentos, a desordem é mais importante do que a ordem. Tudo, claro, depende do grau de ordem e desordem”.

A criminalização é a face perversa do Estado e da sociedade que não permitem que a cidadania seja exercida na perspectiva dos “sujeitos de direitos”.

Quem luta por seus direitos, e pelos direitos dos outros, é ligeiramente taxado, acusado e condenado sumariamente. Os estigmas e preconceitos sociais atribuídos àqueles que lutam anulam a vivência de uma cidadania plena e ativa.

Autor Herson Capri na resistência ao retrocesso social de Temer. Assista esta importante entrevista que fala de todos os ataques aos direitos dos trabalhadores e do clima de hostilidade em que se encontra a população brasileira para emitir opiniões.

 

O diálogo, em busca dos consensos possíveis, constitui a ordem democrática, muito antes das leis e das imposições arbitrárias. Quando perdemos a capacidade de escutar, de sentar à mesa para negociar, não chegamos a consensos e acordos que, mesmo que provisórios, são sempre necessários para qualquer perspectiva de avanço dos direitos em questão.

A democracia nasce das palavras, da retórica e da persuasão. Por isso mesmo, manifestar-se não pode significar só gritaria, de um lado, e repressão, de outro. Sempre é preciso colocar os pleitos à mesa, estar aberto para ouvir e dialogar.

“O Congresso, todo atolado em corrupção, quer derrubar Temer e escolher o novo presidente. Mas não podemos permitir. É por isso que vamos às ruas pedir #DiretasJá. Só Eleições Diretas garantirão que as reformas propostas pela elite política e econômica deste país não afetem a vida de todos os trabalhadores e trabalhadoras deste país.

 

Quem responde pelo Estado, bem como quem marcha nas ruas, precisa colocar-se em movimento, para construir soluções e encaminhamentos provisórios. Ninguém sai de uma manifestação com os direitos já conquistados, mas toda manifestação pode indicar avanços para a materialização dos mesmos. Nesta perspectiva, temos todos muito que aprender.

Como escreve Marcos Rolim, “a democracia que temos já não tem política. Nela, o futuro se ausentou porque as palavras não autorizam expectativas. Será preciso reinventá-la, entretanto, antes de desesperar. Porque o desespero é só silêncio e o melhor do humano é a palavra”.

Protásio Alves: Escola mãe e inspiração de outras escolas

A Escola Estadual Protásio Alves é a
mãe de todas as outras escolas e muitas memórias
foram levadas com pessoas que não estão mais entre nós.
Mas nós continuamos a dar a vida e o sangue
para dar boa educação ao povo de Passo Fundo.

 

Dia desses, nosso diretor Júlio Cesar Taietti Borges me chamou para contar uma passagem um tanto curiosa e, por outro lado, compreensível.

Dizia:

“Uma noite, num sábado, estava na minha sala terminando o horário das turmas quando, de repente, não mais que de repente, ouvi um barulho de que alguém tivesse batido muito forte uma porta.

No mesmo momento saí da minha sala, no corredor estava um tanto escuro. Logo acendo a luz do corredor. Desço silenciosamente as escadarias solitárias para chegar no andar de baixo, resolvi gritar, chamar por alguém, por mais que a certeza de havia somente eu naquela noite, mas como de supetão minha branda:

– Xuxa!!

Claro que apenas ouvi o eco de minha voz pelo solitário, frio e sombrio andar de baixo. Não mais que um segundo depois ouço bater estrondosamente a porta da minha sala no andar de cima.

Subo ofegantemente para ver, mas na minha vaga lembrança havia deixado a porta fechada. Quando acesso o andar superior, realmente constato que realmente a porta da minha sala estava chaveada.

Meu coração nesse momento começou a palpitar. Porém, logo penso: – deve coisa da minha cabeça.

Sento-me novamente em frente ao computador para terminar o horário, pois na semana seguinte essa tarefa deveria estar pronta. Olho pelo vitro que reflete a luz de fora enxergo um vulto passar.

De súbito abro puxo a porta para ver se enxergava algo nada, porém no memento que olho para outro lado aparece um reflexo no fundo do outro corredor de uma figura passar apressadamente.

Naquele momento, não consegui pensar em nada, pois meu cérebro estava congelado, apenas saí porta fora, sem que houvesse mais tempo para nada, nem se quer acionar o alarme. Desde aquele dia, fico pensando em coisas que não me largam a memória, pois, numa escola centenária como a nossa, muitas almas já passaram por aqui”.

Quando o diretor me contou isso, logo me passou pela cabeça que nossa escola passa 07 anos de um século e, por isso, quanta energia de vida, de desafios guarda no seu interior.

 

Protásio Alves: a mãe de todas as outras escolas

Não podemos esquecer que a Escola Estadual Protásio Alves é a mãe de todas as outras escolas e que muitas memórias foram levadas com pessoas que não estão mais entre nós.

Essa instituição vive ainda, por nós, educadores lutadores que derramamos o sangue para dar a boa educação ao povo de Passo Fundo.

“Podemos dizer que ela é o coração da cidade. Tanto é verdade porque guarda no seu endereço apenas Avenida Brasil, sem número, pois é o “Marco Zero” da cidade”.

A beleza está na vivência de quem se foi e de quem ainda vive, pode ser a beleza interna que é o pedagógico quando se atinge o sucesso de efetivar o conhecimento naqueles que ainda tem sede de aprender.

Percebemos o encantamento externo que é a parte predial que, graças a uma restauração minuciosa, renasceu como um dos prédios mais antigos da cidade. Tem acompanhado as manifestações de carinho que as pessoas têm pela escola centenária. Agora tomando o seu lugar de destaque, com visibilidade merecida.

 

Prédio e visual da escola hoje, em 2017

 

Para exaltar um pouco mais a beleza de educar também precisamos expor os desafios da parte pedagógica, que é o suporte da escola, pois ainda vivemos um momento nada animador porque há falta de muitos professores que nos deixa ansiosos e aflitos.

Muitos educadores adoecem porque estão sobrecarregados, com até 4 escolas para dar conta. Pergunto-me: – Como é possível um educador manter qualidade educacional com uma rotina fatigante diária. Outros ingressam e logo desistem diante do desencantamento da profissão, alunos indisciplinados, demora em receber, salários parcelados e congelados, além de terem o décimo pago em 12 vezes.

Sei que esta pode ser uma história um tanto assombrosa vivida pelo nosso diretor, porém consigo até entender e acreditar que se trata de várias almas inconformadas com a educação que vivenciamos em comparação à de tempos passados.

Sabemos que cada um tem uma mala (metaforicamente falando) para carregar neste caminho, neste processo educacional. Ela pode ser pesada, exigindo esforço.

Um novo Protásio Alves

Às vezes precisamos esvaziar as malas, mas o carregar ou o esvaziar depende de cada um. Isso é uma motivação pessoal e individual, todavia se cada um cuidar da sua mala, como deve ser, o desafio passa a ser coletivo, o que é o mais importante. Assim, torna-se mais fácil trabalhar e estudar numa escola mais leve e muito mais, ser feliz.

De mala leve, sua viagem será muito mais alegre e feliz porque a felicidade não é uma coisa grande e pesada. A felicidade é um monte de coisinhas que nos tornam mais próximos uns dos outros, mais companheiros, satisfeitos com aquilo que temos e, sobretudo, com aquilo que somos”. (Rosane Rupolo Mendes, 09/02/2017)

 

A vida imita nossa bagagem

De mala leve, a sua viagem será muito mais alegre e feliz porque a felicidade não é uma coisa grande e pesada. A felicidade é um monte de coisinhas que nos tornam mais próximos uns dos outros, mais companheiros, satisfeitos com aquilo que temos e, sobretudo, com aquilo que somos!

 

Direção de: Laercio Fernandes dos Santos
Voz de: Wenderson Phelipe da Silva Santana
Texto de: Rosane Rupolo Mendes

O jornalismo que ataca e mia quando é atacado

 

Jornalista acha que, se criticar os professores
(eles gostam de atacar professores)
e ouvir uma critica de volta, estará sendo tolhido
no seu direito de se expressar. Não está.

 

Conversei com quatro estudantes de jornalismo nos últimos dias, em duas entrevistas para trabalhos da faculdade. As duas duplas (uma da Unisinos e a outra da PUC) me perguntaram por que o jornalismo deve ser avaliado e criticado.

Eles consideram que eu sou um dos poucos que se atrevem a fazer a crítica do jornalismo no Estado. Eu disse que sempre fiz isso, inclusive em muitas das minhas crônicas na Zero Hora.

Peço desculpas aos que já leram o que vou escrever de novo, mas jornalista pensa que é, mas não é um ente superior que critica políticos, jogadores de futebol, papas, carroceiros, professores, estudantes, agricultores sem-terra, advogados e arquitetos e que por isso mesmo acha que não pode ser criticado.

Jornalista acha que, se criticar os professores (eles gostam de atacar professores) e ouvir uma crítica de volta, estará sendo tolhido no seu direito de se expressar. Não está.

Apenas pode estar sendo contestado, o que não significa nada além de que também ele deve acolher com naturalidade as avaliações de quem ouve, vê e lê o que faz.

Jornalista incomodado com a crítica, por achar que isso o fragiliza, não pode ser jornalista.

Jornalista que se nega a aceitar a avaliação do trabalho da imprensa é um corporativista. É alguém que, sob o pretexto de não incomodar colegas, se omite em relação ao exame da própria atividade.

Jornalista que se sente ameaçado por críticas e mia sempre que é avaliado por seus leitores ou até por colegas deve tentar ser outra coisa (quem sabe, juiz de alguma vara especial que o torne imune e impune a qualquer avaliação interna ou externa).

Em reportagem “Não existe justificativa para celebrar morte de ex-primeira dama”, psicóloga Viviane Rossi defende que “essas pessoas têm uma dificuldade imensa de colocar-se no lugar do outro, independentemente do relacionamento ou sentimento que tenham pelo ex-presidente e pela ex-primeira-dama”. Veja mais.

Eu não me incomodo quando me enquadram, como sempre me enquadraram, como jornalista de esquerda. Mas entendo muito bem os que evitam ser definidos como jornalistas de direita, em especial os que apoiaram o golpe e ainda sustentam seus articuladores.

Muitos deles fazem parte da turma da crônica fofa e, ao mesmo tempo, da alcateia de hienas que tenta desqualificar até a memória de dona Marisa Letícia.

Muitos deles são apenas jornalistas medíocres. Outros tantos são medíocres e covardes. Alguns são tudo isso, medíocres, covardes e canalhas. Estes, os canalhas, são os mais sensíveis à critica. Eu não posso ser fofo com eles.

Em artigo Jornalismo e seus interesses, Nei Alberto Pies cita Moisés Mendes sobre sua concepção de jornalismo: “O jornalismo é assunto de interesse geral, como toda atividade com alguma exposição pública – a política, a engenharia, a arquitetura, a gastronomia, a funilaria e as religiões e suas promessas de transcendência e suas aberrações”.

http://www.sul21.com.br/jornal/jornalismo-e-seus-interesses-por-nei-alberto-pies/

A baleia não mata ninguém

 

Não é a baleia que mata.
Não é o jogo que mata.
O que mata é o sentimento que tudo acabou
e de que a vida já não tem mais sentido.

 

O jogo da Baleia Azul trouxe diversas discussões para as rodas de conversa. O tema também foi abordado pela série da Netflix, 13 Reasons Why? em que uma adolescente se suicida após ser vítima de bullying na escola e deixa fitas gravadas pontuando motivos pelos quais cada pessoa a quem as mesmas foram enviadas contribuíram para que ela se suicidasse.

Enquanto muitas pessoas se dedicam a entender o suicídio, muitos ainda preferem definir a participação de jovens como “falta de laço”, “falta de vergonha na cara” ou “falta de trabalho”.

O suicídio é atualmente um problema de saúde pública, sendo uma das três principais causas de morte, entre pessoas de 15 a 44 anos, e a segunda entre as de 10 a 24 anos. A cada ano, aproximadamente 1 milhão de pessoas tira a própria vida, o que representa uma morte a cada 40 segundos. O Brasil tem cerca de 10 mil registros anuais.

O suicídio representa hoje um grave problema de saúde pública no mundo. Daremos a nossa contribuição para essa campanha explorando no vídeo de hoje o conhecimento científico sobre o suicídio.

 

O suicídio é uma questão de saúde pública, sendo uma das três principais causas de morte, entre pessoas de 15 a 44 anos, e a segunda entre as de 10 a 24 anos. Cerca de 1 milhão de pessoas tira a própria vida ao redor do mundo, o que representa uma morte a cada 40 segundos. No Brasil são aproximadamente 10 mil registros anuais. Foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014.

O que leva uma pessoa ao suicídio é a falta de esperança nela mesma e no mundo. Muitas vezes esse sofrimento é tão grande que a própria dor nem existe mais. Ela tem fim e dá lugar ao sentimento de vazio total. A pessoa que passa por isso passa a sentir o mais profundo vazio e o sentimento de que nada mais importa é o único que preenche aquilo chamamos de vida.

Felipe Neto fala sobre Baleia Azul- O que você não sabe!

 

Segundo a OMS, o número de pessoas que vivem com depressão está aumentando consideravelmente: 18% entre 2005 e 2015. O órgão estima que mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. É a principal causa de incapacidade laboral no planeta. No Brasil mais de 5% da população sofre de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas.

Por ser um tabu sobre o qual mantemos silêncio é como se os suicídios se tornassem invisíveis e quando se tornam visíveis, como agora pela repercussão do tal jogo e também da série, a maioria se detém em fazer uma análise rasa e superficial, encontrando uma maneira imediatista de resolver um problema tão complexo. Baleia Azul é só o último empurrão que uma pessoa depressiva precisa para dar cabo a sua vida.

Não é a baleia que mata.

Não é o jogo que mata.

O que mata é o sentimento que tudo acabou.

O que mata a falta de tato da família, da escola e da sociedade para ler os sinais de quem tem tendências suicidas.

O que mata é esse discurso carregado de ignorância que afasta muitas pessoas do tratamento ideal e da ajuda que necessitam.

 

 

Crítica à educação conservadora

Embora um debate antigo, ocorrido há mais de 100 anos, contém uma atualidade educacional impressionante. Pois, que educador consciente e comprometido com a educação negaria qualquer um dos princípios de ensino destacados neste texto?

 

Em reflexões anteriores, procurei resumir algumas ideias do pensamento pedagógico de Johann F. Herbart. Muitas de tais ideias não são exatamente aquelas que Dewey atribui ao pedagogo alemão.

Dewey, assim como outros pensadores, padece do pathos do grande pedagogo, de muitas vezes não fazer uma hermenêutica profunda do texto de autores com os quais dialoga. Isso o conduz, algumas vezes, a simplificar excessivamente as ideias de outros pensadores. Isso é sintomático da leitura que faz de Herbart.

Herbart é defensor do conteúdo e do trabalho intelectual do professor. É neste contexto que ele torna-se grande defensor da formação intelectual múltipla do educando, fazendo uma defesa clara do papel do educador e da importância dos conteúdos no processo educativo.

O maior problema do Brasil é o completo abandono da educação e sabemos que é proposital. No livro de Humberto Eco, lemos que somente o clero tinha acesso a educação, os plebeus não, pois assim se mantem os dominantes e os dominados. no Brasil, como em países comunistas, onde o governo tira a qualidade da educação para o povo, retira princípios cristãos, oculta o civismo e destroem a instituição família, dão esmola e remédios para se manter no poder. A educação é a base de tudo.

 

Foi também foi o defensor do desenvolvimento múltiplo das disposições espirituais do educando, desenvolvendo a importante ideia de que o ensino é movido por interesses. Ou seja, são os interesses do professor e do aluno que definem a qualidade do processo pedagógico.

É tarefa do professor tornar o conteúdo interessante ao aluno. A escola e o professor tornam-se enfadonhos quando não conseguem fazer isso.

Nas palavras do próprio Dewey: “Herbart aboliu a ideia das faculdades já dispostas e que podiam adestrar-se por meio do exercício com toda classe de materiais, chamando atenção sobre a matéria de estudo concreta, sobre o conteúdo que era decisivo”. Ou seja, contra o inatismo pedagógico, ele apostou na educação como desenvolvimento das disposições humanas, baseado no conteúdo. Por isso, sua ênfase na formação intelectual múltipla do educando.

Contudo, aos olhos de Dewey, a teoria educacional de Herbart, por ser representante típica da perspectiva conservadora, possui muitos limites. O principal deles, ao focar nos conteúdos e no trabalho do professor sobre o conteúdo, consiste em menosprezar a capacidade ativa do aluno.

Este documentário, produzido pela Unowebtv, da Unochapecó, tem o intuito de levantar questões relacionadas ao constante processo de transformação do mundo, da sociedade, da tecnologia e como isso afeta a educação hoje e a afetará no futuro. São apresentados pontos de vista diversos que contribuem para um debate acerca da educação que temos e da educação que precisamos.

 

Mais especificamente, Herbart ignora a concepção de ser humano como “ser vivo com funções ativas e específicas que se desenvolvem na direção e combinação que têm lugar quando se encontram ocupadas com seu ambiente”.

Inserindo-se bem no espírito das Reformas pedagógicas do final do século XIX e início do século XX, Dewey torna-se adepto da postura ativa do aluno e dos métodos pedagógicos que incentivam tal atividade. Era comum, por isso, no início do século XX, pedagogos tornarem-se progressivos e Democracia e Educação insere-se neste amplo movimento que domina a Europa e chega com força também nos Estados Unidos.

O que está em jogo aqui?

É a diferença fundamental entre duas teorias educacionais: uma, a de Herbart, que aposta no desenvolvimento das disposições intelectuais do aluno por meio do trabalho conceitual do professor. Formação é, neste sentido, o desenvolvimento das disposições intelectuais, provocado pelas gerações mais velhas sobre as gerações mais novas.

A outra teoria, que é a do próprio Dewey, deposita peso na experiência elaborada pelo aluno, a partir daquilo que o ambiente exige dele, e toma isso como fator decisivo de seu próprio desenvolvimento intelectual.

Em síntese, o grande limite da teoria educacional conservadora, da qual Herbart seria, aos olhos de Dewey, um bom representante, consiste no fato de que ela, ao acentuar a influência do ambiente intelectual sobre o espírito, “passa por alto o fato de que o ambiente implica uma participação pessoal em experiências comuns”.

A ênfase que o pedagogo alemão dá na formação intelectual do educando, baseada no domínio do conteúdo pelo professor, só ocorre, segundo Dewey, porque ele não considera adequadamente o papel que o ambiente desempenha na formação do próprio educando. Ora, Herbart ignora o papel ativo do educando como aspecto decisivo na constituição do próprio ambiente.

A postura conservadora dá ênfase ao papel intelectual ativo do professor, menosprezando o fato de que o próprio aluno é um sujeito ativo que só aprende se tiver a oportunidade de exercitar pela experiência suas disposições intelectuais. Neste sentido, educação não é só transmissão de conteúdo, não é só ênfase nos conteúdos, mas exercício ativo sobre materiais dados, considerando pedagogicamente o modo como o educando trabalha com os materiais.

Herbart e Dewey são dois gigantes que projetam olhar distante, abrindo novos horizontes no âmbito das questões pedagógicas. São grandes oceanos de seus próprios séculos. Não devemos por um contra o outro como se somente um tivesse toda a razão e, o outro, totalmente errado. O diálogo inteligente é capaz de reter o que cada um possui de interessante e descartar pontos de vista equivocados.

De qualquer sorte, este debate ocorrido no início do século XX, entre grandes teorias educacionais, contém ideias importantes de uma teoria educacional atualizada.

Para ser uma boa educação, o ensino precisa: a) deter-se seriamente na elaboração do conteúdo: sem conteúdo não há educação; b) formar o professor para que possa trabalhar pedagogicamente com o conteúdo, levando em conta o papel ativo desempenhado pelo ambiente; c) partir do mundo de experiências do educando, considerando sua capacidade ativa de construir suas próprias experiências e d) por fim, contribuir para a elevação cultural do próprio aluno.

Deste modo, como se pode observar, embora se trate de um debate antigo, ocorrido a mais de 100 anos, contém uma atualidade educacional impressionante. Pois, que educador consciente e comprometido com a educação negaria qualquer um dos princípios de ensino resumidos acima?

 

O sufoco da indignação

 

O sufoco da indignação
não significa sua morte, mas resistência.
Quando ela não mais existir, podem ter certeza,
morrerá também a esperança humana.

 

Sou a indignação. Sinto-me sufocada. Falta-me o ar.

A cada dia que passa, deparo-me com mais poluição de muita informação e pouco conhecimento. A verdade (ou a pouca verdade) luta para sobreviver.

Os produtores de informação estão a serviço da institucionalização da mentira, necessária para a dissimulação da malícia, velada, a fim de perpetuar o status quo.

Rolando Boldrin, Sr Brasil, em Sinto vergonha de mim. Assista!

 

O zelo pelo instituído estimula a criatividade para a produção da publicidade enganosa.

A banalização dos valores que buscam o bem comum e a afirmação da vida em comunidades, pela solidariedade, é combatida veementemente pela cultura de competição, própria dos que subjugam pelo poder e pela força.

O belo está sendo cada vez mais arranhado pela aspereza. A sensibilidade é relegada à esfera familiar. O diferente só é valorizado quando confirma o status quo hierárquico já instituído.

Ei, estou indignado! (Skank)

 

A corrupção no Brasil virou notícia, todos os dias. Desconfio, no entanto, que corrupção já seja um problema suficientemente sério para ser levada a sério pela maioria dos brasileiros.

Resisto bravamente. O sufoco não significa morte, mas resistência.

Quando não mais existir, podem ter certeza, morrerá também a esperança humana e a esperança em dias melhores no Brasil.

 

Ensino e inovação do IFCH – Universidade de Passo Fundo

 

O Programa tem como objetivo discutir,
promover e articular projetos de extensão
que tenham como foco a formação profissional continuada,
bem como a busca por soluções
inovadoras para os
desafios da educação, principalmente nas escolas.

O “Ensino e Inovação” é um Programa de Extensão, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo, é um espaço de formação continuada para educadores, no qual estudantes em formação, também, podem participar.

Esse Programa, vinculado ao Centro De Cultura, Memória e Patrimônio, surgiu em função da demanda da comunidade regional, por um espaço para projetos e ações de estudo continuado na área das ciências humanas e das linguagens.

O Programa tem como objetivo discutir, promover e articular projetos de extensão que tenham como foco a formação profissional continuada, bem como a busca por soluções inovadoras para os desafios da educação, principalmente nas escolas.

Diante disso, o “Ensino e Inovação” abrange projetos centrados no educador e em estudantes, voltados à qualificação, atualização, aperfeiçoamento profissional e à educação continuada, buscando estudar, discutir, encontrar soluções e metodologias inovadoras para os desafios da educação, socializando os resultados obtidos.

Este Programa pretende articular o ensino, pesquisa e extensão, que agreguem projetos e ações em todos os níveis territoriais, sendo seu objeto de atuação o ensino, a educação continuada, tendo como princípio fundamental a inovação nas práticas pedagógicas em diferentes espaços escolares e não escolares.

Neste ano de 2017, o “Programa Ensino e Inovação” conta com quatro grandes Projetos de Extensão em desenvolvimento:

Grupos de Estudo na Universidade (GEUs): reúnem professores e estudantes, para o estudo em torno de um área, a fim de construir conhecimento de forma compartilhada, com a coordenação de um professor da UPF. Visam, também, provocar mudanças graduais nas escolas de educação básica, com experiências dinâmicas e inovadoras na sala de aula.

Neste ano de 2017 estão em funcionamento o GEUs de Filosofia, o de História e Letras, como Espanhol, Inglês e Português. Cada GE se realiza, com diferentes ações, como, estudo e discussão teórica, seminários e relatos de atividades práticas, oficinas, produção/elaboração de material didático, entre outras.

Bookcrossing: é um projeto global, que incentiva a prática de libertar livros para que outras pessoas os encontrem e leiam, para que cada vez mais as pessoas tenham acesso a um número maior de livros, leiam e compartilhem suas experiências de leitura. Nesse contexto, o Bookcrossing na UPF busca incentivar a leitura sustentável, motivando as pessoas a libertarem livros que já leram.

Para isso, o Projeto tem “pontos” em diferentes unidades da UPF: IFCH, FAC, FAED, FEAC, FM. Além disso, com o apoio da Rádio UPF, o Projeto possui um programa semanal, como forma de incentivar a leitura e a prática de libertação de livros, bem como diferentes projetos de leitura, autores regionais e outras propostas na área. Outras aliadas do Projeto são as redes sociais, que mobilizam os simpatizantes para a troca e libertação de livros.

Literatura em diálogo: é um Projeto que desenvolve atividades culturais, visando possibilitar o acesso à leitura e discussão de obras literárias, com vistas ao aprofundamento teórico das análises dos textos e à criatividade prática na abordagem metodológica da leitura. A proposta envolve acadêmicos de diferentes cursos da UPF, bem como estudantes e professores de escolas da Educação Básica das redes públicas de Passo Fundo e região.

Produção textual: escrita criativa na escola tem como objetivo geral proporcionar a qualificação de produções de textos de alunos oriundos de escolas públicas estaduais de ensino médio de Passo Fundo, bem como da UPF, tratando tanto o aspecto relativo à correção gramatical quanto às questões referentes à textualidade – coesão, coerência, situacionalidade, dentre outros. A proposta se realiza pelo oferecimento de oficinas para os estudantes de Letras, como capacitação para atuarem nas escolas, onde estarão interagindo e construindo uma prática de textos diferenciada.

 

Luciane Sturm
Coordenadora do Programa Ensino e Inovação
Professora do Curso de Letras IFCH/UPF

Políticas Públicas de Segurança: estudos a partir da Psicologia Social

O fenômeno da segurança perpassa inúmeras áreas
como o direito, a sociologia, a psicologia etc.
Por isto uma intervenção adequada não se poderia
ater a apenas um recorte teórico ou de uma especialidade,
mas deveria partir do seu histórico, da sua situação atual
e de suas projeções.

 

 A temática das Políticas Públicas está se tornando – e o dizemos com alegria – um dos temas mais recorrentes e pesquisados pela Psicologia, principalmente pela Psicologia Social: políticas públicas para a saúde, políticas públicas para a educação, políticas públicas na área da assistência social, políticas públicas na comunicação.

Poucos são os estudos que se arriscam a discutir políticas públicas na área da segurança social. E isso apesar de a questão da segurança ser se não a primeira, certamente uma das principais a ser mencionada em pesquisas quando se pergunta às pessoas quais os principais problemas por elas enfrentas. É só conferir as pesquisas.

Pois bem: eis um estudo que se arrisca nesse pedregoso caminho. Foi escolhida a cidade de Passo Fundo, pois, ao se examinarem os locais de maior risco em relação à segurança, essa cidade se colocou entre as primeiras. Foram então dirigidos àquela cidade vários projetos do PRONASCI, do Governo Federal da época.

Mas o que investigar? Após muito refletir, pensou-se em examinar os diferentes projetos ali instalados e investigar dois pontos a partir dos participantes e das pessoas a quem eses projetos eram dirigidos: os limites de tais programas e as possibilidades de  implementar e ampliar essas políticas públicas. Tentou-se verificar como a população sentiu esses projetos e o quanto eles responderam às sérias questões da segurança.       

Duas aproximações teóricas orientaram tanto a metodologia, como a interpretação das informações: de uma parte o enfoque da teoria da complexidade e, de outra parte, a perspectiva da transdisciplinaridade. E ambos os enfoques foram iluminados sob a luz da perspectiva crítica.

Trata-se da construção de uma proposta para a ressignificação do modelo cartesiano positivista, focado num conhecimento que legitimava dualidades e dicotomias entre sujeito e objeto e entre razão e emoção.

A construção do conhecimento na perspectiva da tradição crítica está comprometida com a metodologia transdisciplinar, que visa o estabelecimento de relações entre as áreas, a partir dos problemas humanos, que não cabem em uma especialidade.

O ponto de partida deixa de ser uma realidade isolada, vista apenas a partir de uma área do conhecimento. O fenômeno da segurança perpassa inúmeras áreas como o direito, a sociologia, a psicologia etc. Por isto uma intervenção adequada não se poderia ater a apenas um recorte teórico ou de uma especialidade, mas deveria partir do seu histórico, da sua situação atual e de suas projeções.

O espaço empírico da investigação se concentrou no Pronasci, onde se encontram conceitos e práticas relacionadas à segurança pública. Trata-se de um programa que teve abrangência nacional, focado em regiões metropolitanas com maiores índices de violência e menores índices de assistência no conjunto das políticas públicas de segurança.

O Pronasci tem como proposta a atuação nas raízes socioculturais da violência e da criminalidade, além da articulação das ações de segurança com políticas sociais por meio da integração da União, dos Estados e dos Municípios. Estabelece um foco de atuação territorial em que devem atuar os agentes comunitários de mediação, Mulheres da Paz, beneficiários do Projeto de Proteção de Jovens em Território Vulnerável (Protejo) e policiais comunitários.

O PRONASCI tem entre suas diretrizes a participação, visando à cidadania e à emancipação dos sujeitos envolvidos com as situações que demandam segurança e justiça.

 

Mulheres da Paz em Passo Fundo: dados e experiência em Passo Fundo.
“A construção de uma cultura se faz mediando conflitos e construindo cidadania”.

Como foi dito acima, o problema que orientou a construção deste estudo está centrado na investigação dos limites e das possibilidades do Pronasci no que se refere à emancipação dos sujeitos, a partir dos diferentes projetos que o constituem.

As informações dos sujeitos que se envolveram na execução dos projetos foram agrupadas em nove categorias principais e a análise interpretativa das informações extraídas da pesquisa procurou identificar os limites e as possibilidades dos diferentes projetos na busca de maior segurança social.

Cremos que os resultados das investigações discutidas no presente livro podem se configurar como alternativas de superação da fragmentação entre os diferentes projetos que tratam das políticas de segurança e podem fazer nascer, iluminar e orientar outras iniciativas tão urgentes e cruciais dentro desse complexo tema das políticas públicas de segurança.

 

“Segurança pública e psicologia:
bases para uma inversão epistemológica da intervenção”,
autor Israel Kujawa
Confira mais, aqui.

Mesmo que não se tenha conseguido ir muito adiante, ao menos se tentou uma caminhada. Certamente outros estudos poderão se inspirar nas investigações realizadas que vão servir de base para futuras investigações.

* Apresentação do livro “Segurança Pública e Psicologia: bases para uma inversão epistemológica da intervenção” de Israel Kujawa, por Pedrinho A. Guareschi, professor UFRGS.

 

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