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A Terra: nossa mãe comum

O grande desafio atual é nos libertarmos da dependência do mundo virtual e ilusório das máquinas mágicas que, em alguns casos são úteis e indispensáveis, mas que nos distraem e nos desconectam do mundo real. É urgente voltar a viver o dia a dia de forma natural, real.

Somos todos, que compõem a humanidade, filhos da Terra, ela é a nossa mãe dadivosa e boa que nos oferece doações sem limites.  Bem trabalhada e cuidada, ela transforma em alimento tudo que seus filhos precisam. É um laboratório divino.

O nosso convívio equilibrado com os outros seres vivos proporciona a manifestação e continuidade da vida plena. Ela sempre foi capaz de gerar alimento abundante para a manutenção de seus habitantes tanto do reino mineral, vegetal e animal. A Terra é naturalmente preservadora e mantenedora da vida.

A vida, sopro divino, é encontrada no ar, nas águas, nos raios do Sol, no solo, na relva, nas árvores, nas montanhas, nos animais, no nosso corpo físico. A Natureza está sempre presente em nossas vidas. A Terra é uma bateria gigantesca que se desloca no cosmos equilibradamente.

Nas páginas vivas do livro da Natureza, aberto à nossa frente, bastando acessá-lo com a visão, o olfato, a audição, o tato ou a gustação, observá-lo conscientemente, racionalmente, percebermos a grandiosidade da vida que temos a nossa volta e da qual somos parte integrante. Esta constatação vai nos proporcionar fonte de equilíbrio emocional e físico.

A observação dos fenômenos naturais como: nascer e pôr do Sol, as aves voando, as flores e seus perfumes, as árvores, as nuvens, o céu noturno   estimula a elaboração de bons pensamentos, da razão ativa, da consciência participativa, da vontade de fazer boas coisas e de nos sentirmos plenos.

A comparação interativa entre nós e o meio natural em que vivemos ajuda a nos autoconhecer e proporciona processo de identificação com a divindade, promovendo o sentimento de pertencimento a esta criação transcendental e de inteireza e plenitude com tudo que nos cerca, dando sentido a nossa vida. O Sol, a fonte, a árvore, as pedras, as flores, a brisa, não falam, irradiam a luz, a harmonia, a beleza, o som, o perfume, comunicam-se silenciosamente, falando a nossa alma sobre as realidades sublimes que nos cercam.

Temos que parar, silenciar, respirar fundo, sentir a natureza que nos cerca. Observar atentamente os elementos que a compõem. Quanta lição vamos encontrar.

O ar atmosférico, indispensável à vida, quando seco e limpo, é composto de 21% de oxigênio, 78% de nitrogênio, 1% de argônio, 0,03% de carbono e vapor de água. Encontram-se, também, poluentes, poeiras, cinzas, microrganismos e pólen. 

O oxigênio presente no ar atmosférico é de grande importância para a manutenção da vida no planeta, é o gás utilizado na respiração de todos os seres vivos. Ele sopra e viceja em torno da Terra.  Nós começamos a respirá-lo ao nascer e essa assistência vai até o último dia de nossa vida na Terra, quando paramos de respirar.

O ar é a força renovadora, cheia de vitalidade que nos doa, ao respirarmos, a energia que necessitamos para nos manter vivos. O ar dá vida às plantas, pois elas também respiram e transformam, perante a luz do Sol, no processo de fotossíntese, o gás carbônico que expiramos em oxigênio, purificando o ar poluído pelos seres humanos.

A fragrância do vento que corre, tudo limpa, o sopro forte do ar empurra as nuvens carregadas de água que acabam desaguando sobre a terra árida, nutrindo-a. O corpo humano precisa respirar o ar da mãe Terra para sobreviver e o espírito precisa respirar o ar rarefeito transcendental que vem de Deus, que é o alimento da alma. Precisamos do pão que nutre o corpo, mas, também do alimento que nutre a alma.

A água é o sangue vivo que circula no planeta. Duas partes da Terra estão debaixo das águas. Nas águas dos mares está o marco do princípio da vida, elas são laboratórios imensuráveis de fenômenos surpreendentes para a Ciência. No contato com a água, o ser humano tem sensação de bem-estar, pois ela é doadora de energia e é imprescindível à vida dos seres vivos. Ao bebermos um copo de água fresca, estamos ingerindo o elixir da vida, a melhor bebida que existe na Terra, indispensável à manutenção da saúde física.

Mais de 70% do corpo humano é composto de água. Ela representa 60% do peso total do corpo.  No período da gestação, o feto fica imerso do líquido amniótico dentro da placenta, até o nascimento. Não existe vida sem água. Das fontes divinas fluem as águas que saciam as fontes do planeta Terra que caem do céu como benditas   gotas de chuva mantendo o vigor da vida no solo.

O solo do planeta é o resultado de paciente trabalho da natureza, partículas minerais e orgânicas vão sendo depositadas em camadas devido a ação da chuva, do vento, do calor, do frio e de organismos vivos como minhocas, formigas, cupins e outros micro-organismos. Ele é tão importante quanto o ar, a água, o sol e fundamental para o ecossistema terrestre, pois, além de fixar as plantas, como meio natural, ele oferece os nutrientes básicos para elas crescerem. Serve também de base para as construções humanas.

A mãe Terra, que nos acolhe na nossa atual experiência, nos fornece os elementos básicos para a formação do nosso corpo físico, disponibiliza os recursos naturais que precisamos para sobreviver e que, depois guarda no seu seio os restos mortais do mesmo quando nosso espírito se liberta, representa escola bendita que busca nos ensinar a aprender, conhecer, a conviver com os outros e interagir com a natureza, despertando nossa autoconsciência. 

A natureza, da qual somos parte integrante, age em rede de entrelaçamento para manter a vida organizada com o sol, o ar, a água, o solo.  O sol, fonte de luz, calor e energia; o ar atmosférico que promove o sopro renovador da vida; a água, fonte da vida; o solo, base da vida. De Deus recebemos a vida espiritual, o amor e a sabedoria.

O grande desafio atual é nos libertarmos da dependência do mundo virtual e ilusório das máquinas mágicas que, em alguns casos são úteis e indispensáveis, mas que nos distraem e nos desconectam do mundo real. É urgente voltar a viver o dia a dia de forma natural, real.

Recuperar a curiosidade sadia da infância e saciá-la na busca de respostas sobre o significado mais profundo da vida, junto à natureza e no contato pessoal com o outro, sem a intermediação do aparelho celular, na convivência olho no olho, no ouvir a voz e olhar o rosto, apertar a mão, dar o abraço…. Voltar a explorar os recursos naturais a nossa disposição e sentir a vida estuante que nos cerca.

Precisamos nos libertar das atividades escolares exclusivamente dentro das quatro paredes da sala de aula. Quando possível, aula ao ar livre, embaixo da sombra de uma árvore, na horta da escola, embaixo dos raios solares, sentindo a brisa do vento, promovendo acurada observação, por parte dos alunos, de algum ângulo da natureza.  É preciso aprender a olhar, descobrir, fixar a atenção. 

O pensamento é valorizado pela observação e pela comparação entre duas ou mais constatações de fenômenos naturais.  Aprender a sentir, a expressar as emoções que a observação da natureza oferece, valorizar tudo o que está a volta ajuda a ativar o campo perceptivo do aluno.

Este tipo de vivência representa ensaio para leitura do livro aberto da natureza associado às emoções e sentimentos. Sentir o calor do sol, a frescura da brisa, olhar o céu, as nuvens, ouvir o canto dos pássaros, tatear o troco de uma árvore, abraça-la, verbalizar no grupo as constatações pessoais feitas no laboratório vivo da natureza ajuda a desenvolver visão mais plena do sentido da vida. 

Atividades planejadas adequadamente, de forma multidisciplinar e interdisciplinar, enriquecem o processo ensino aprendizagem na escola. Encontramos, na Base Nacional Curricular Comum, entre as competências do Ensino Religioso que o aluno deve: “Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza enquanto expressão de valor da vida. ”

A escola, no nosso entendimento, templo do saber, deve buscar oferecer experiências de aprendizagem que contribuam para a formação de pessoas capazes de compreender o mundo e agir de forma consciente e crítica, que tenham a capacidade de ler e interpretar os saberes que estão à disposição no mundo complexo que vivemos, especialmente em relação à educação ambiental. O aluno deverá ser estimulado, provocado a “ler” seu ambiente natural e interpretar as relações e os conflitos que fazem parte deste contexto, formando uma cidadania ambiental e um sujeito ecológico.

A escola é o local onde a criança e o jovem vão desenvolver as habilidades socioemocionais com vistas a construir sua cidadania, percebendo-se como ser integrante pleno de um Estado, com seus direitos e deveres civis e políticos, como um membro ativo da Sociedade”. Leia mais: https://www.neipies.com/a-escola-templo-do-saber/

O educador, na escola é, por natureza do ofício que exerce, quem conduz o aluno a interpretar e compreender o mundo natural e social que o cerca, é o mediador e provocador de reflexões que provoquem novas leituras da vida, de visões e compreensões do mundo que no acolhe e da responsabilidade pessoal de ação sobre este mundo, como seres humanos, históricos e sociais.

A compreensão dos problemas socioambientais envolve múltiplas dimensões na escola:  geográfica, biológica, histórica, social e espiritual.

A professora Alzira B.F. Amui, no livro Fundamentos Educacionais para a Escola do Espírito, da editora Esperança e Caridade, coloca, na página 138:

“Compreender a vida, a partir da natureza, estabelece, na intimidade do ser, outros parâmetros em relação a tudo que o envolve, especialmente, quando passa a sentir e perceber o valor inestimável de uma educação que lhe propicia o equilíbrio e a harmonia íntima. Valorizando, de forma diferente, tudo o que está a sua volta, o aluno torna-se um ser cada vez mais reflexivo e participativo da natureza em que está inserido. Com esta educação, tornar-se-á um jovem tranquilo e sereno, sequioso de saber e pleno de respeito pelas coisas divinas. ”

  Autora: Gladis Pedersen de Oliveira

O “Pantanar” e a educação

Percebam que Zé Leôncio não falou que buscaria uma professora habilitada, que pagaria um ótimo salário, que daria todas as condições de trabalho para que ela atendesse adequadamente as crianças. Não. Ele disse que elas deveriam fazer um sacrifício em nome da educação.

No capítulo da novela “O Pantanal” do dia 09 de setembro, tivemos uma cena que mostra exatamente o que a elite brasileira pensa da educação e principalmente do professor.

Zé Lucas e Zé Leôncio discutiam sobre a possibilidade de se ter uma escola chalana, onde as crianças pantaneiras teriam aulas nestas embarcações que cortam os rios pantaneiros. Lá pelas tantas, Zé Lucas questiona sobre quem estaria disposto a dar aulas para aquelas crianças em uma chalana no meio do pantanal. Eis que Zé Leôncio responde:

– Uai, nóis contrata uma professora. Elas tão acostumada a faze sacrifício.

A fala de Zé Leôncio é a expressão do pensamento da sociedade brasileira sobre o professor. Percebam que ele não falou que buscaria uma professora habilitada, que pagaria um ótimo salário, que daria todas as condições de trabalho para que ela atendesse adequadamente as crianças. Não. Ele disse que elas deveriam fazer um sacrifício em nome da educação.

Mas, justiça seja feita, não é somente o latifundiário Zé Leôncio que pensa assim. Nós ouvimos estas falas quase que diariamente de autoridades, políticos, e as vezes até mesmo de professores, em todo o Brasil.

Tento me convencer que talvez tenha sido uma crítica refinada à elite agrária brasileira. Mas, logo em seguida, Irma, a cunhada de Zé Leôncio, se prontifica a ser esta professora, me convencendo que não havia crítica alguma. Irma parece ter feito o curso de letras, o que não o habilita a alfabetizar, e parece também que ela nunca pisou em uma sala de aula, e pelo que entendi, nem salário ela vai querer.

Isso diz muito sobre o Brasil, a sua classe política, e a sua elite com suas raízes escravocratas, mostrando o longo caminho que precisamos percorrer, até que nos tornemos um país minimamente civilizado.

Autor: Eduardo Albuquerque, professor

Seu candidato realmente se importa com a educação e os educadores?

Neste período eleitoral, que se intensifica com a proximidade do dia 2 de outubro, os discursos e planos para a educação são muito bonitos no papel e nos discursos. Mas será que seu candidato realmente se importa com a educação e os educadores(as)?

Por mais de 30 dias o CPERS percorreu escolas dos 42 Núcleos do Sindicato para fazer esse questionamento aos professores(as) e funcionários(as) de escola – da ativa e aposentados – e debater sobre que projeto de futuro esperançamos para a educação pública do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Clique aqui para baixar o comparativo entre os últimos quatro governos estaduais.

Assim como o explicado durante a #CaravanaPelaDemocracia, o Sindicato não tem a intenção de definir votos, mas é seu papel propiciar uma reflexão sobre as ações dos governos e parlamentos. Recordar o passado e analisar o presente é fundamental para se decidir o futuro! 

>> Clique aqui para baixar o encarte de como votaram os deputados(as) e senadores(as) em projetos que retiraram direitos dos educadores(as). 

Acesse os materiais e reflita você também sobre os cenários vivenciados e as possibilidades diante das eleições que se aproximam. O teu voto fará a diferença na eleição para assegurar um projeto a serviço do povo gaúcho(a) e brasileiro(a), bem como na defesa de uma escola pública laica, democrática, gratuita e de qualidade social.

Originalmente publicado no site do CPERS, 14/09/2022: https://cpers.com.br/seu-candidato-realmente-se-importa-com-a-educacao-e-os-educadores/

Autor: CPERS SINDICATO

Brincar de boneca proporciona empatia e habilidades sociais

As habilidades sociais desenvolvidas ao brincar de boneca também tornam as crianças mais maduras e responsáveis para cuidar de animais de estimação e das plantas ou árvores que tiverem em casa.

Trago hoje o poeta brasileiro Ferreira Gullar com o seu belo poema intitulado “Menina passarinho” para ilustrar o início do nosso texto que pode ganhar várias personalidades diferentes dependendo da imaginação e poder de criatividade da criança. Então, Gullar nos diz no seu poema “Menina passarinho, / que tão de mansinho / me pousas na mão / Donde é que vens? / De alguma floresta? / De alguma canção?”.

Que toda criança venha das profundezas do nosso benquerer e seja amada como se fosse uma floresta ou uma canção bonita, o que importa é que preencha as nossas lacunas de adultos superpoderosos que esquecem da infância antes de correr o lápis na folha de papel para desenhar uma casa torta ou uma bola de sol, arrisquemos a ser crianças no dia a dia para enchermos de belezura a vida que de tão doída está matando pessoas tão jovens!

Toda criança durante a tenra idade deveria preocupar-se apenas com o brincar, pois ele desenvolve o raciocínio lógico e outras habilidades que servirão para a idade adulta. Assim, também pensam estudiosos e terapeutas da infância, ou seja, o brincar é fundamental para o bem-estar, o desenvolvimento e o amadurecimento social da criança.

O brincar é o melhor que podemos oferecer às nossas crianças, pois brincando elas aprendem e descobrem coisas por si próprias que não saberiam como nos perguntar.

No meu tempo da infância tive muitas bonecas de pano e de plástico. Eram as minhas melhores amigas. Muitas vezes fui professora, médica, advogada, juíza, dona de casa, cozinheira, costureira, enfermeira e tantas outras profissões cuidando das minhas bonecas. Com elas aprendi muitas coisas, dente essas a empatia, o carinho pelos meus amigos e desenvolvi muitas habilidades sociais que me ajudam a viver neste mundo egoísta e cheio de ódio.

Estudiosos indicam que as bonecas são alguns dos brinquedos mais antigos do mundo, com registros de uso na Grécia e Antigo Egito, por volta de 100 D.C. Nessa época, algumas crianças já brincavam com bonecas, sendo esta uma atividade milenar que auxilia na educação e no desenvolvimento dos pequenos.

A boneca possui um papel fundamental na formação das crianças, pois estimula habilidades e funções desenvolvidas por elas. Mais do que um simples brinquedo, é a própria representação das pessoas e do convívio social e familiar.

Brincar de boneca é brincar de se relacionar, pois as crianças falam com elas como se fossem outras pessoas. Essas relações sociais que estão tão fora de moda atualmente e que quase já não as alimentamos mais, pois estamos presos no trabalho e até mesmo na vida pessoal. As crianças também estão trocando as suas bonecas pelos tablets ou aparelhos celulares, o que está dificultando as relações sociais entre elas e os seus amiguinhos.

É preciso estabelecer limites nessas brincadeiras com produtos eletrônicos e oferecer para as crianças a oportunidade de experimentarem brincar com outros brinquedos que possam despertá-las para novos conhecimentos, novas aprendizagens e experiências.

Enquanto falam com as bonecas, as crianças compartilham as suas dúvidas e medos para elas e as escutam. Na verdade, escutam a própria voz interior, levando-a a maior pergunta da filosofia antiga quer seja “Quem sou eu?” que tanto intrigava os filósofos gregos.  É uma troca entre o eu físico e o eu emocional. Ambos se relacionam e passam assim a se identificarem com situações reais vividas por outras crianças ou até mesmo com adultos que estão perto delas.

As bonecas nos ensinam que cuidar do outro é uma tarefa de responsabilidade e de extrema importância.

Este eu do existencialismo de Sartre que se coloca frente a frente com a existência da criança que precede a sua essência, o que significa dizer que o ser humano se determina, se constrói, se inventa enquanto age no mundo e esse agir pressupõe o brincar da criança com o seu brinquedo querido que está sempre inventando um mundo novo e agindo no seu mundo de diversas maneiras com as quais as bonecas são colocadas para enfrentarem desafios e poderem viver em meio a multidão de elementos da sua criatividade no mundo real e imaginário.

As crianças projetam nas bonecas aquilo que estão vivendo, e muitas vezes situações conflituosas que elas não conseguem resolver sozinhas, contando para as suas bonecas acabam descobrindo uma solução. Com isso, as representações internas são enriquecidas e a criança passa a sentir mais confiança para enfrentar o mundo que exige tanto dela.

Também promove a empatia, ou seja, enquanto se preocupa com as suas bonecas e os problemas criados para elas no mundo da imaginação as crianças precisam resolvê-los sozinhas e com isso passam a se colocar no lugar das bonecas como se elas existissem e tivessem sentimentos verdadeiros.

Os pais, responsáveis e professores devem saber que não existe essa história de brincadeira de menino e de menina. Meninos também podem brincar de bonecas sem nenhum problema. Não é porque ele brinca de boneca que perderá a sua masculinidade. Os meninos também aprendem brincando com bonecas e ursinhos de pelúcia, assim como as meninas também aprendem brincando com carrinhos.

Se as crianças que fazem bullying com os meninos que vestem a cor rosa trazem esse conhecimento de casa é porque algum adulto as ensinou. E isso deve ser combatido pela escola porque nela só há lugar para um mundo diverso onde as crianças possam se apresentar do jeito que quiserem e serem livres para mostrarem as suas orientações sexuais desde cedo. Leia mais: https://www.neipies.com/nem-azul-nem-rosa-crianca-veste-qualquer-cor/

É preciso saber que, quando um menino brinca com uma boneca bebê, ele pode estar encenando diversas situações que vive no cotidiano, como um pai cuidando de uma filha, um professor ensinando a uma aluna, um médico cuidando de um paciente ou até mesmo um barbeiro, quem sabe? São cenas que fazem parte da vida dele. Aos pais, cabe incentivar as brincadeiras nos filhos. Isso também os ajudará a serem pais mais presentes no futuro, ou seja, a se tornarem mais participativos na criação quando eles tiverem filhos.

Com certeza, não é um brinquedo que irá definir a sexualidade de uma criança e este debate precisa ocorrer nos lares e escolas, para quebrar esse preconceito. O importante é que a criança tenha pelo menos um boneco em sua infância para poder brincar com ele e viver todas as etapas do desenvolvimento.

Há sempre uma troca de vivências com esses brinquedos entre as crianças, pois elas transmitem para eles as suas dores, dúvidas e sentimentos tão incompreendidos pelos adultos. Incompreensão essa que se coloca dentro de casa quando a criança costuma fazer perguntas sobre as mudanças do seu próprio corpo ou como chegou até aqui e os pais ou mentem ou não sabem como explicar a verdade, mudando de assunto e fazendo a criança sentir-se sozinha com a sua dúvida. O que não é bom.

A boneca pode ser de pano, de plástico ou de silicone seja qual for o material fabricado, elas sempre serão ótimas companheiras para as crianças. As bonecas são costumeiramente os primeiros presentes que as crianças recebem. O que importa é a relação afetiva que a criança cria com elas, esta relação que ajuda no desenvolvimento de outras habilidades sociais como a perda de timidez de falar em público, a empatia, a confiança em si própria e a coragem de realizar tarefas que antes pareciam impossíveis.

Sem contar que as bonecas estão sempre juntas nas atividades do cotidiano, na escola, no parque ou na praça. Para onde vai a criança costuma levar a sua boneca como companheira das horas de alegria e tristeza.

É simplesmente uma coisa maravilhosa brincar de boneca e conheço muitos adultos que brincam com elas até hoje participando de grupos em redes sociais para compra das mesmas só para poder lembrar do tempo da infância. Eu mesma participo de muitos grupos de bonecas que me fazem voltar aos meus tempos de criança quando no meu pequeno mundo as minhas bonecas me aceitavam como eu realmente sou e me ouviam sem que eu precisasse ficar pedindo atenção a todo instante, pois elas sempre estavam ali para mim e para ouvirem as minhas mais tolas histórias inventadas na hora só para afastar uma dor ou um medo que vinha, de repente. Foi assim que desenvolvi a habilidade de contar histórias inventadas na hora para meninos e meninas.

São elas que contribuem para as lembranças mais lindas que nos enchem de saudades quando nos tornamos adultos. Não é verdade que bate uma nostalgia quando você se lembra das suas bonecas da infância? Mamãe costurava vestidos para bonecas e segundo ela as suas bonecas de pano e de sabugo de milho eram as mais bem-vestidas entre as suas amigas, foi com o dinheiro das vendas dos vestidos das bonecas que ela conseguiu se alimentar e alimentar os seus irmãos. Ao lembrar disso, mamãe fica nostálgica e começa a falar do seu tempo de criança como se quisesse voltar a brincar de bonecas novamente.

Todo mundo tem uma boneca para lembrar da época da criancice. Elas deixam lembranças bonitas dentro da gente de um tempo em que a gente ouvia mais as pessoas e cuidava delas com carinho. Hoje já não sabemos nem como nos ajudar. Vivemos em consultórios psicanalíticos fazendo terapia para descobrirmos quem somos, de onde viemos e o que queremos aqui. Eram questões como essas que fazíamos às nossas bonecas e elas nos respondiam depois de momentos de reflexão.

Os estímulos que a criança recebe influenciam no seu desenvolvimento, comportamento e saúde mental. As bonecas podem ajudar nesses estímulos. Ao brincar de boneca a criança usa a comunicação. Ela pensa ou verbaliza em voz alta o que está fazendo, conversa, usa vocabulário e vivencia algum papel social como já foi dito acima. Na verdade, ela personifica a boneca, ou seja, dá uma personalidade e vida real colocando qualidades e defeitos que são comportamentos de humanos.

Ao brincar de boneca a criança estimula a imaginação, pois ela precisa inventar uma cena, um mundo à parte para a brincadeira. Pensar nos comportamos e sentimentos da boneca. O pensamento não tem limites e é um grande incentivo agir dessa maneira. O mundo imaginário é infinito. A criança pode mudar a brincadeira na hora que quiser, de repente, pode inventar outros sentimentos para a sua boneca ou outras situações. Ela vai experimentar vários sentimentos no tempo em que estiver brincando com a sua boneca.

Vai também poder esquecer o mundo real que é tão sofrido e incompreensivo para com as crianças, deixando-se embalar pelo mundo da imaginação onde tudo é possível e onde ela pode cuidar da boneca como gostaria de ser cuidada e amada. A boneca proporciona que a criança saia da realidade difícil e entre no seu imaginário personificando aquilo que gostaria de ser, mas tem medo ou é impedida por algum adulto.

A brincadeira com a boneca também desenvolve a inteligência emocional. Como a criança personifica a boneca, simbolizando um ser humano real, que interage e sente, ela acaba exercitando suas próprias emoções. Ao reviver ou criar situações, ela vai se expressando e pensa sobre os sentimentos e as vontades da boneca. Ela cria uma relação e desenvolve mais empatia.

As bonecas também ensinam sobre a maternidade e a paternidade, quando normalmente as crianças cuidam das suas bonecas como se fossem bebês. É uma forma da criança criar responsabilidade como pai ou mãe: alimentar, trocar a fralda, dá banho, colocar para dormir. É um treino para a vida adulta, caso ela queira ter filhos. É um exercício para os meninos também que compreendem ter atribuições importantes no dia a dia.

As ideias de brincadeiras de bonecas são infinitas, depende da imaginação da criança: tarde na escolinha, um dia no spa, almoço no restaurante, manhã na piscina, café com amigas, passeio no shopping, fazer compras, festa de aniversário, consulta médica, visita a algum amigo doente. São várias as ideias que a criança pode experimentar e os pais também devem entrar na brincadeira incentivando a criança a brincar cada vez mais com as suas bonecas.

A boneca permite, também, uma melhor interação, socialização e compreensão das coisas ao redor da criança. Por esse motivo é uma das principais brincadeiras que fazem parte de algumas práticas pedagógicas e educacional das crianças. Ao brincar de boneca as crianças aprendem a socializar com outras, incentiva a criatividade além de estimular e compartilhar fatos comuns do seu cotidiano. Além disso, a criança passa a imaginar um mundo subjetivo, do jeito que ela o enxerga com toda magia e fantasia que pode criar.

Assim é que no conto de Jordi Sierra i Fabra intitulado “Kafka e a boneca viajante” narra que o escritor Kafka encontrou uma menininha chorando numa praça por ter perdido a sua boneca e inventa para ela uma história de que a boneca não estava perdida, mas viajando e ele um carteiro de bonecas escreve várias cartas para a menina sobre as peripécias da boneca na sua viagem. Dessa forma ele consegue acalmar a menina.

Na verdade, supõe-se que Kafka realmente escreveu estas cartas, mas elas nunca foram encontradas e a sua esposa contou para Jordi Fabra esta história bonita e intrigante. O que vale é a imaginação, seja ela de adultos ou crianças e que os adultos possam acalmar as aflições das crianças e os seus anseios inventando histórias bonitas e acalentadoras.

Brincar de boneca é importante para a criança, porque é nessa atividade que ela aprende a compartilhar, socializar e a se comunicar. Se você é mãe, sabe o quão chateado seu filho pode ficar se alguém tirar o brinquedo dele. Ainda mais quando for uma boneca ou bichinho de pelúcia, pois esses brinquedos são especialmente importantes para as crianças, pois representam sentimentos de cuidado e afeto.

É exatamente o fato de ser tão importante, e mesmo assim a criança dividir seu brinquedo com outra criança, que torna tudo tão valioso! Quando seu pequeno compartilha uma boneca ou pelúcia com seu coleguinha ou irmão, é uma ótima maneira de quebrar barreiras.

A responsabilidade da criança para com a sua boneca é tamanha que são elas as mais difíceis de se quebrarem de todos os demais brinquedos. Esse é o resulto de um vínculo entre elas, que passam a ter responsabilidade e a se comportar com seus pertences pessoais. Desde cedo a criança precisa aprender e ser colocada diante de responsabilidades para desenvolver um comportamento de organização e seriedade para com os desafios da vida. Essa é também uma ótima maneira das crianças aprenderem a cuidar dos irmãos mais novos.

As habilidades sociais desenvolvidas ao brincar de boneca também tornam as crianças mais maduras e responsáveis para cuidar de animais de estimação e das plantas ou árvores que tiverem em casa. 

Assim como os outros brinquedos, as bonecas também têm um impacto nas habilidades motoras, pois ajuda nas funções básicas da criança que envolvem a motricidade. Um bom exemplo prático é pedir para as crianças colocarem em ordem ou em sequência suas bonecas desde a menor até a maior ou da maior até a menor, por exemplo. Assim, além da coordenação motora, estimula o raciocínio lógico e a capacidade de organização dos pequenos.

Com o desenvolvimento da tecnologia é muito importante que as crianças tenham contato com esses brinquedos antigos e lúdicos e que os pais mantenham o controle e o limite com brincadeiras em aparelhos eletrônicos, pois muitas vezes acabam prejudicando o desenvolvimento emocional e físico da criança. Afinal, ela precisa se socializar e interagir com o mundo real e com o seu mundo imaginário, coisa que as bonecas proporcionam de uma forma tão encantadora e prazerosa!

Para finalizar este texto belo sobre bonecas que me fez voltar à infância tantas vezes e trazer a minha boneca para junto de mim quero deixar vocês com a nossa poeta maravilhosa brasileira Ruth Rocha que escreveu o poema “Pessoas são diferentes” e nos diz nos seus lindos versos “São duas crianças lindas / Mas são muito diferentes! / Uma é toda desdentada, / A outra é cheia de dentes…”

Que cada boneca seja diferente para as crianças no mundo da imaginação apresentando comportamentos e sentimentos diferentes, mas que possam encher o mundo real de bonitezas e encantos para enfrentarem a grande incompreensão de nós adultos que queremos muitas vezes colocar goela adentro tudo o que sabemos sem termos a paciência para ensinar, cuidar, amar e esperar o tempo certo da aprendizagem.

Autora: Rosângela Trajano

 

Retratos de uma oficina: os pequenos contadores de histórias da Casa Drum

O certo é que, contar histórias, produz efeitos positivos para todas as idades. Quem sabe não se encontra nessa formação de novos narradores um nicho de estímulo à leitura?

Na cidade de Passo Fundo, norte do Rio Grande do Sul, considerada a capital nacional da literatura, há uma jovem casa de cultura, pioneira em eventos e projetos culturais: a Casa Drum Música e Arte.

Conheça página da Casa Drum: https://www.facebook.com/casadrummusicaearte/

Colaborador desde a sua fundação, fui desafiado a ministrar, no início do estrepitoso ano de 2020, uma oficina de contação de histórias para crianças, dentro das atividades da colônia de férias oferecida pelo espaço. Uma responsabilidade e tanto!

A minha jornada pessoal se confunde com a história do próprio espaço. Crescemos juntos, sendo lá o lugar onde pude expressar as inúmeras ideias e iniciativas na arte da narração oral.

Quando ocorreu a proposta de inserir a contação de histórias aos pequenos, não apenas como um espetáculo “engessado”, com o protagonismo exclusivo nosso, os organizadores, e sim como uma oficina onde os participantes pudessem experimentar a sensação de narra histórias, vislumbrei uma oportunidade única de fazer algo novo. A Casa e eu, mais uma vez, inovaríamos.

Contar histórias é, como expressa Ana Luísa Lacombe, um ato de importância atemporal, válida para qualquer época e situação. As narrativas são essenciais para que se possa compreender o mundo e também a nós mesmos. As histórias são elementos que nos contextualizam, oferecendo significado às coisas e dando sentido para estarmos no mundo[1]. Compreendendo essa ideia, recebemos mais de uma dezena de crianças para três encontros no mês de janeiro de 2020, ávidos para fazer despertar neles a ânsia por se descobrirem por meio do encanto narrativo.

O trabalho não foi fácil de imediato. Agrupar crianças com idades entre cinco e doze anos num mesmo espaço e as sintonizar na mesma direção é uma tarefa de alta exigência. Comandante dessa missão, comecei a oficina fazendo aquilo que mais gosto e melhor faço: contando histórias.

Escolhi a narrativa A macaca que perdeu a banana, conto popular cumulativo que envolve os espectadores em um divertido jogo de repetição. Extasiados com a narrativa, pediram outras. Segui narrando as histórias mais pertinentes, na minha visão, à abrangência do público.

Acalmados os ânimos partimos para um trabalho minucioso: a virada de olho[2]. Essa metáfora, desenvolvida pela professora contadora de histórias Regina Machado é um brilhante exercício para percebermos onde se escondem as múltiplas possibilidades narradoras no nosso cotidiano.

Pegamos objetos múltiplos e passamos a observá-los sob outra ótica. A imaginação fluiu de modo tão vigoroso, a tal ponto que aqueles inanimados utensílios se tornaram, para nós, reis, rainhas, chapéus, brinquedos, cavalos. Percebemos que tudo poderia ganhar vida, com outra roupagem, outras atribuições, desde que deixássemos seguir o curso natural da nossa vivência criadora. Para as crianças aquilo era normal; mal sabiam elas o que estava por vir.

Resolvi, então, dividir a turma em três grupos. Cada um teria como tarefa a criação de uma própria história, seguindo a exposição teórico-prática realizada naquele momento. Havia, portanto, uma clara intenção de inversão do jogo estabelecido até então. Retirava-me do papel de narrador e passava essa incumbência a eles. O protagonismo mudava de mãos; era agora dos pequeninos que, ansiosos, reuniram-se para decidir qual a narrativa trariam ao público. Uma centelha se acendia em seus olhos.

A posterior apresentação das histórias ao “grande público” foi divertida e reveladora. A imaginação fértil de cada grupo era tamanha que criaram narrativas com um sentido tipicamente infantil, baseadas em mistérios, aventuras, quase se aproximando ao contos de fadas e, ainda assim, profundas, com um embasamento crível, etapas bem definidas e finais criativamente elaborados.

O desempenho narrativo, com voz, gestos e olhares tinha certa densidade, ainda que necessitado de retoques. Uma missão, portanto, cumprida com êxito e que deixou tarefas para a aula seguinte: indagar, em casa, acerca das narrativas ouvidas pelos pais, avós, tios, padrinhos ou mesmo uma pesquisa nas histórias que mais chamavam a atenção de cada um. Era o prenúncio de uma semana plena.

As crianças, conforme a incumbência que lhes fora dada, imergiram no fantasioso mundo literário, atuando como coletoras de histórias e leitoras vorazes e curiosas. A partilha das narrativas, no momento adequado, teve dois pontos distintos: em um primeiro plano trabalhamos com o emaranhado de palavras trazido por elas e fomos formando uma rede ampla de histórias, cada qual com seus momentos especiais. Posteriormente colocamos a “mão na massa” e nos encaminhamos para o ato principal: narrar.

Os novos narradores orais, tão pequeninos fisicamente, mas tão grandes em postura e vivência imaginativa, foram expondo, individualmente ou em grupos, os seus modos de narrar. Juntos delineamos os melhores caminhos a serem seguidos, descobrimos novos meios de impactar o público, treinamos corpo e voz, superamos os próprios obstáculos. Um exercício verdadeiramente coletivo, plural, onde não havia mais professor e nem alunos, e sim aprendizes dispostos a partilhar e a aprender. Assim seguimos nesse e no derradeiro encontro, onde a centelha já havia se tornado fogueira incandescente, sempre contando e ansiando por novas e boas histórias.

O término da oficina produziu em mim um efeito melancólico; separar-me das crianças e suas criações não era fácil. Três semanas vivenciando novas experiências juntos era um tempo demasiado grande, com uma entrega tão profunda. Entretanto, ricas foram as considerações captadas por esse trabalho, e tão logo foi possível pensar racionalmente em tudo o que havíamos realizado, tornaram-se nítidas as ideias.

Em primeiro lugar é preciso considerar o caráter inovador desse processo. Normalmente as ações de formação de contadores de histórias são voltadas ao público adulto, não ao infantil. Pela primeira vez naquele espaço, portanto, buscava-se quebrar essa sequência, permitindo que as crianças também vivenciassem a experiência de serem narradores orais e pudessem demonstrar suas habilidades. Em segundo plano, a oficina permitiu constatar que os canais de imaginação e criação das crianças constituem uma fonte infinita de ideias, dotados de uma sensível verdade poética. Um cabedal de ricas possibilidades de trabalho educativo e lúdico não devidamente explorado.

Contudo, o que de mais impactante se pôde depreender desse trabalho foi a capacidade que a proposta teve de induzir as crianças à leitura literária.

Ao colocá-los como protagonistas da própria formação, ou seja, agentes cuja responsabilidade seria, a partir dali, a de trazer e narrar histórias próprias, produziu-se um efeito de aguçamento da curiosidade de conhecer mais, adentrar nos livros (quando já alfabetizados) e descobrir histórias boas para se contar, ou mesmo ouvir narrativas que poderiam ser interessantes perante os colegas. Mais que narradores, tornaram-se pesquisadores, leitores por excelência.

Quais são as lições a serem tiradas dessa experiência? São tantas e conduzem, na verdade, a ainda mais questionamentos. O certo é que, contar histórias, produz efeitos positivos para todas as idades. Quem sabe não se encontra nessa formação de novos narradores um nicho de estímulo à leitura? As possibilidades servem a essa função: instigar.         

Autor: Gabriel Cavalheiro Tonin


[1] LACOMBE, Ana Luísa. Quanta história numa história: relato das experiências de uma contadora de histórias. São Paulo: É Realizações, 2015 – p. 23.

[2] “O olhar que se dirige apenas para a utilidade das coisas é característico da nossa civilização ocidental. Precisamos nos lembrar da percepção flexível que tínhamos quando crianças porque, como adultos, nos habituamos a nos valer apenas desse tipo de olhar funcional, como se fosse o único de que dispomos. (…) Trata-se de uma posição que permite a experiência viva da conversa imaginativa porque não está presa a nenhuma visão preconcebida, fixa, na qual o que estou vendo apenas confirma o que já sei a respeito de determinado objeto. Ao contrário, a posição de flexibilidade imaginativa é antes uma disposição interna para encontrar algo que poderá ser o resultado de uma conversa que revelará qualidades presentes na interação dos elementos presentes naquele instante. Tais elementos são dados pelo objeto, pela minha pessoa e pela trama do jogo proposto nessa interação (MACHADO, 2004, p. 88).

Educação e democracia ou a barbárie?

“… desbarbarizar tornou-se a questão mais urgente da educação hoje em dia” (Adorno, 1971/2003).

No contexto atual, precisamos redobrar nossos compromissos com os elementos da educação que mantêm a vitalidade da democracia.

A democracia precisa da educação e a educação precisa da democracia, pois ambas possuem uma grande capacidade libertadora, humanizadora e racional.

Já a educação baseada, fundamentalmente, na lógica dos mercados cria uma estupidez gananciosa que põe em risco a própria existência da democracia e, certamente, impede a criação de uma cultura de cidadania.

Pensar a educação para uma cidadania democrática implica pensar sobre as nações democráticas, pelo que lutam, qual projeto de desenvolvimento se comprometem.

Defensores de antigos modelos desenvolvimentistas geralmente afirmam que a adoção do desenvolvimento econômico trará, por si só, mais saúde, mais educação, redução da desigualdade social e econômica. Na verdade, uma análise profunda revela que esse modelo não entrega o que promete.

Vários pensadores contemporâneos, como Martha Nussbaum (Universidade Chicago), advertem que estamos em meio a uma crise de enormes proporções e de grave significado global: “a crise mundial da educação”.

Edgar Morin, referenda que “não é unicamente uma crise econômica, aquela que começou em 2008, mas é uma crise de civilização, das relações humanas. É uma crise de mentalidades, uma crise da humanidade”.

E o papel da educação, segundo Morin, é de ajudar os estudantes a enfrentar problemas da vida, especialmente nestes momentos de crise.

Ainda neste contexto de crise, o professor António Nóvoa (Universidade de Lisboa) adverte que o “mercado global da educação” quer tirar o máximo de proveito da crise atual. Este mercado da educação ancora-se na lógica do “solucionismo tecnológico” e do “consumismo pedagógico”.

Esta indústria aposta no digital, com ofertas privadas, com produção de conteúdos, materiais e instrumentos de gestão para a educação pública e privada. Empresas educacionais mercantis pressionam, inclusive, para professores tornarem-se investidores no mercado de ações dos próprios grupos que trabalham enquanto educadores.

A barbárie é contagiosa

Este contexto de crises, associada à produção da ignorância e de diversos negacionismos, pavimenta o caminho para a barbárie.

E, evitar a barbárie ou mesmo desbarbarizar, tornou-se a questão mais urgente da educação hoje em dia, afirmava o filósofo Theodor W. Adorno, na obra A educação contra a barbárie, já em 1968.

E ele entendia a barbárie como “algo muito simples, ou seja, estando a civilização no mais alto desenvolvimento tecnológico, as pessoas se encontram atrasadas de um modo particularmente disforme em relação a sua própria civilização – e não apenas por não terem em sua arrasadora maioria experimentado a formação nos termos correspondentes ao conceito de civilização, mas também por se encontrarem tomadas por […] um impulso de destruição, que contribui para aumentar ainda mais o perigo de que toda esta civilização venha a explodir […]”.

Bernard Charlot, professor emérito da Universidade Paris-8 e atualmente professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), pertencente à “geração de 1968”, pois participou daquele movimento estudantil, lançou recentemente um livro questionador: Educação ou barbárie? Uma escolha para a sociedade contemporânea.

Já nas primeiras páginas enfatiza que se realmente queremos transformar a escola, não será com algumas ilhas de sobrevivência e algumas pessoas admiráveis, mas com os professores “normais”, presos nas múltiplas contradições da sociedade contemporânea.

Critica a falta de importantes debates sobre a educação nesta sociedade contemporânea e o deslocamento das discussões sobre temas secundários, como: o desempenho em ranking internacionais (Pisa), a neuroeducação, o transhumanismo, as técnicas digitais de comunicação e de cibercultura, implementação de chip no cérebro que permitirá ao pós-humano escapar do processo de aprendizagem, entre outros.

O educador francês alerta que, enquanto os discursos que dominam o cenário da educação estão focados na eficácia e no desempenho, outros, mais ou menos fanáticos, inspirados por convicções religiosas, nacionalistas, racistas, procuram impor uma hierarquia do ser humano – a parir de critérios tradicionais de dominação, ou como uma contra hierarquia produzida por aqueles que foram vítimas de discriminação.

Para o professor, sejam presidentes de países ricos, sejam doutrinadores de países pobres, esses novos bárbaros, senhores da definição de quem merece viver, tem um profundo ódio para com a educação.

E adverte: a barbárie é contagiosa.

A fraqueza da moral

Nesta obra, Bernard Charlot, propõe a ideia de que devemos reintroduzir a questão do homem (do ser humano) no debate na educação e propõe uma antropopedagogia contemporânea.

Com base em pesquisas, de forma crítica, defende a ideia de que o “próprio do homem” não é uma especificidade individual, mas a própria existência de um mundo humano, só é possível pelo acúmulo, de geração em geração, que, por sua vez, permite a educação.

Nesta perspectiva do ser humano, em recente entrevista, o filósofo Luc Ferry, ao ser questionado sobre sua afirmação de que o “ódio é talvez maior do que o amor no ser humano” e de que o “século 20 foi genocídio atrás de genocídio”, esclareceu que não acredita na existência do diabo, mas, sim, na existência do diabólico ou demoníaco.

“Sempre me impressionei com a fraqueza da moral baseada na convicção de que o homem é bom por natureza. Os animais ferem uns aos outros, mas não tomam o mal como um projeto. Entre os humanos, pelo contrário, o mal radical ligado ao ódio não consiste em “fazer o mal”, mas em tomar o mal como um projeto – o que é bem diferente”, pontuou.

O filósofo francês cita, como exemplo, que o mundo animal parece ignorar amplamente a tortura.

Por outro lado, há um museu em Ghent, na Bélgica, que nos deixa pensativos: o museu, justamente, da tortura.

Lá você pode contemplar os surpreendentes produtos da imaginação humana nessa área: tesouras, facas, alicates, queimadores, esmagadores de cabeça, puxadores de língua, trituradores de dedos.

O ódio é inútil

Para Ferry, o ódio demoníaco, por ser de outra ordem que não a da natureza, escapa à lógica do utilitarismo. Ele é inútil e até contraproducente.

É essa disposição antinatural que lemos no olho humano: ao contrário da lagosta ou do pássaro, o olho humano não é um espelho que reflete a exterioridade, mas a interioridade. Podemos ler tanto o pior como o melhor, tanto o ódio e como o amor e a generosidade.

Portanto, ao nos questionarmos, para que serve a educação na sociedade contemporânea, lembremos da resposta do literário e ensaísta russo-americano Mikhail Epstein: a educação serve “para educar humanos, por humanos, para o bem da humanidade”.

Teoricamente, ele apelava à humanidade dos estudantes e dos professores, mas precisamos estender a todos os nós, seres humanos.

No Brasil atual, a educação para a cidadania implica compromisso com a efetiva participação e com a democracia. O poder deve não só emanar do povo, mas ser exercido pelos cidadãos diretamente e através de seus reais representantes nas estruturas do Estado.

Portanto, a democracia nos compromete com o bem comum e com a formação de uma nação, de um país, de cidades, comunidades e um Estado onde todos sejam sujeitos e protagonistas.

A educação é para gente, para pessoas, enquanto espécie humana, ou mais precisamente, enquanto gênero humano (homo).

E a educação não ocorre só nas escolas e nas universidades. Ela ocorre na cidade, na polis e em todos os ambientes públicos, nos diversos espaços e coletivos de convivência, como: nas famílias, nos condomínios, comunidades, empresas e organizações diversas.

No Brasil e no mundo, desenvolvem-se experiências de cidades educadoras. Leia mais: https://www.neipies.com/por-onde-passa-o-futuro-das-cidades-educadoras/

E é justamente no espaço público comum da escola que a democracia precisa estar presente, sendo praticada, vivenciada, respeitando o outro, o diferente, o adversário.

Não podemos sucumbir à ignorância e ao medo. Educação e democracia são a melhor escolha para nossa sociedade. E é necessário fazer esta escolha com consciência e humanidade no processo eleitoral. Ditadura e tortura NUNCA MAIS! “Democracia tem que nascer de novo a cada geração, e a educação é a sua parteira” (John Dewey)

Reflexão originalmente publicada em página do Jornal Extra Classe: https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2022/09/educacao-e-democracia-ou-a-barbarie/

Autor: Gabriel Grabowski

A República não compareceu

O desapego pela Constituição e pela lei que Bolsonaro demonstrou neste réquiem de Sete de Setembro, não pode deixar nenhum trabalhador, nenhum democrata, nenhum defensor dos direitos humanos, desatento mesmo com a vitória popular nas eleições.

As manifestações bolsonaristas neste Sete de Setembro foram do tamanho correspondente ao apoio eleitoral de Bolsonaro. A principal dessas manifestações no Rio de Janeiro, organizada com apoio disfarçado das Forças Armadas e do erário público, restringiu-se aos setores abertamente fiéis ao Bolsonarismo. Setores médios, em bairro de setores médios, pautados por bandeiras golpistas e antidemocráticas, eram a quase totalidade dos presentes.

Bolsonaro e suas pautas reacionárias não iludem mais aos trabalhadores pobres do país.

As mulheres pobres, as negras, que vivem o desemprego, a fome e a violência contra seus filhos, não se mostram dispostas sequer a ouvir os argumentos de Bolsonaro. Essa impermeabilidade parece estar assentada no reconhecimento de que durante mais de ¾ de seu governo, Bolsonaro não ajudou a combater a pobreza, a violência e a fome.

As medidas do tipo “Auxílio Brasil” não repercutem eleitoralmente. A mais recente pesquisa de intenção de voto, realizada pelo IPESP e divulgada pela Globonews, demonstra a sólida e ampla rejeição de Bolsonaro entre as pessoas que ganham até dois salários mínimos e entre mulheres.

Este quadro político refletiu-se no desfile institucional, oficial, das comemorações do ducentenário da independência do Brasil. A redução política de Bolsonaro aos seus apoiadores foi expressa pelas gritantes ausências dos presidentes dos demais poderes da República: presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira/Progressistas, do Senado Federal, Rodrigo Pacheco/PSD e do Supremo Tribunal Federal, Luis Fux. A República começa a consolidar o isolamento e confinamento político de Bolsonaro.

As razões das ausências são diferentes, evidentemente, mas confluem para o mesmo sentido. O fato da maioria da população rejeitar Bolsonaro repercutiu nos setores e partidos de centro que começam a separar sua imagem do candidato reacionário, ainda que tenham compartilhado o governo e as políticas econômicas até aqui.

O mergulho que Bolsonaro faz no sentido da extrema direita afastou setores da elite e do centro liberal, que passaram a temer por seu próprio futuro político, empurra várias destas lideranças, como a maioria do STF, no sentido de defender a Constituição e a democracia.

Muito possivelmente este Sete de Setembro marque um ponto sem retorno na derrota política e eleitoral de Bolsonaro. O que para muitos da extrema direita deveria ser um ponto de inflexão, quase desesperado, para reverter o quadro das intenções de voto solidamente favoráveis à candidatura de Lula, se tornou um bloqueio insuperável para Bolsonaro.

O candidato reacionário mostrou-se incapaz de ampliar para além de determinadas frações dos setores médios, setores da cultura militar e das lideranças e organizações da própria direita e do fundamentalismo cristão. Seus discursos foram incapazes de se dirigir ao que não era o próprio espelho de sua política e de seus valores.

Contudo, um terço do eleitorado não é desprezível. Ainda mais sendo um campo político não subordinado às leis e à democracia. O mundo já pagou, e continua pagando, um preço demasiado por desprezar a extrema direita organizada, liderada por psicopatas. O desprezo pela vida, pela lei, faz deste campo político um bando que pode chegar a longínquos pontos uma vez que desapegados de freios ético-morais em relação a vida em comum.

A democracia brasileira, inconclusa e distante da maioria da população em função de que em nome dela muito se lhe tirou, precisa não só derrotar o bolsonarismo como vigiar para que este não venha a lhe golpear adiante.

O desapego pela Constituição e pela lei que Bolsonaro demonstrou neste réquiem de Sete de Setembro, não pode deixar nenhum trabalhador, nenhum democrata, nenhum defensor dos direitos humanos, desatento mesmo com a vitória popular nas eleições.

Fonte: https://www.brasildefators.com.br/2022/09/08/a-republica-nao-compareceu

Autor: Jorge Branco, Sociólogo, Mestre e doutorando em Ciência Política pela UFRGS. Professor. Diretor-Executivo INP e DDF.

Aprender com a timidez

Talvez seja prudente, enquanto educadores, reavaliarmos nossas convicções e prestarmos atenção aos “tímidos” e “introvertidos” que se “escondem” no anonimato das aulas e assim, criativamente, encontrarmos estratégias pedagógicas para aproveitarmos o potencial que se encontra escondido nestes alunos.

Num mundo onde saber falar em público é altamente valorizado, onde a extroversão é algo privilegiado e onde o “aparecer” é a “bola da vez”, dizer que a timidez, a introversão e o anonimato são também características importantes de serem elogiadas, pode soar estranho para a grande maioria das pessoas.

Quem defenderia a timidez como uma virtude? Quem faria um elogio para pessoas que gostam mais de ouvir do que falar? Em que aspectos o ficar quieto e a introspecção poderiam ser mais apreciados do que a exposição e a fala espalhafatosa?

No entanto, num mundo marcado pela excesso de informação, de fala e de exposição, a sabedoria do silêncio aliada com o aprendizado da timidez pode ser altamente importante para viver uma vida prudente e bem conduzida.

A escola, de modo geral, supervaloriza aqueles que possuem um alto grau de inteligência linguística, os que participam ativamente nas aulas, enquanto considera os tímidos e os introvertidos como alunos apáticos, problemáticos e pouco valorizados no acontecer pedagógico.

Num processo de escolarização em que os trabalhos de grupo e a participação ativa dos estudantes são altamente considerados, os “quietos” e “calados” dificilmente poderão ter status de destaque no universo escolar.

No entanto, num estudo recente da escritora e consultora empresarial Susan Cain, formada em direito pelas universidades de Princeton e Harvard, cuja síntese está publicada no livro O poder dos quietos, traduzido recentemente no Brasil (Editora Agir, 2012), defende que a introversão e a timidez podem ser altamente produtivas e de que pessoas com essas características podem ser altamente criativas e importantes no atual cenário social, empresarial e acadêmico.

Em seu estudo, baseado em outras pesquisas de antropólogos, sociólogos, psicólogos, filósofos, biólogos evolucionistas, estudiosos da administração e principalmente em biografias de grandes personalidades, Susan Cain mostra que “é um grande equívoco considerar que os introvertidos não podem ser bons líderes”. Na sua avaliação, “líderes introvertidos produzem melhores resultados que os extrovertidos por serem mais propensos a deixar funcionários talentosos discorrerem sobre suas ideias, em vez de tentar colocar seu próprio carimbo sobre elas”. Com isso Susan combate a falácia do “trabalho em grupo” e argumenta que, em muitos casos, incentivar ou até forçar as pessoas a trabalhar juntas pode reduzir a capacidade de criação e a própria produtividade.

Conforme está expresso em uma bela e instigante reportagem sobre o assunto publicada na Revista Mente Cérebro do mês de junho de 2012, “introvertidos não são necessariamente tímidos, embora traços de personalidade de pessoas com essas características frequentemente se sobreponham.

Os primeiros são, basicamente, atormentados pelo medo da desaprovação social e da humilhação, enquanto que os segundos são marcados pelo desconforto em ambientes excessivamente estimulantes”.

Na minha percepção, acredito que estudos como os de Susan Cain são oportunos para repensarmos o modo como projetamos ou organizamos nosso trabalho pedagógico nas escolas e universidades.

Talvez seja prudente, enquanto educadores, reavaliarmos nossas convicções e prestarmos atenção aos “tímidos” e “introvertidos” que se “escondem” no anonimato das aulas e assim, criativamente, encontrarmos estratégias pedagógicas para aproveitarmos o potencial que se encontra escondido nestes alunos.

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

A importância das tarefas na vida das crianças: autonomia

As crianças precisam de autonomia desde os primeiros momentos em que começam a despertar para o mundo, ou seja, desde cedo. Aos poucos os pais devem ir permitindo que elas façam algumas tarefas sozinhas, que se tornem independentes e façam escolhas ou tomem decisões.

Inicio este texto com um poema da querida poeta americana Emily Dickinson intitulado “O amor aprendemos inteiro” que diz nos seus belos versos “O Amor aprendemos Inteiro – / O Alfabeto – As Palavras – / Um Capítulo – e o Livro todo – / E da Revelação – o segredo – / Mas nos olhos Uma da Outra / Divisou-se a Ignorância – / Mais divina do que a Infância – / Uma e Outra, Crianças – / Buscando explicações – / Nenhuma entendeu – nada – / Ai! Como é largo o Saber – / E a Verdade – que complicada –”.

Buscar explicações é o que fazem as nossas crianças a todo instante nos seus pequenos mundos de incompreensões em que os adultos costumam depositar conhecimentos e darem ordens como verdadeiros tiranos fazendo delas súditas que não podem perguntar ou criticar, apenas aceitarem e dizerem sempre que sim. É preciso deixar a criança viver, experimentar, gerenciar e receber do mundo externo o necessário para o seu desenvolvimento interior.

Educar é uma tarefa difícil e complexa. Cada pai tem a sua maneira de educar a sua criança. Alguns preferem o cuidado exagerado, outros permitem que a criança desde cedo cresça sendo independente. Na verdade, a educação das nossas crianças é algo desafiador, mas que vale a pena ser conversado entre os pais, professores e responsáveis.

Cada pai tem uma opinião diferente em relação a criação do seu filho, cabe a nós respeitar. Assim é com a autonomia, alguns preferem não deixar que as crianças façam nada além de brincar outros permitem e até acham bom que elas aprendam desde cedo a terem responsabilidades.

Neste sentido que discutiremos a questão da autonomia na criança. A autonomia é o poder do ser humano em se governar de acordo com seus ideais e princípios. Logo, uma criança autônoma é aquela que, dentro dos seus próprios limites, ganha responsabilidade e autoconsciência sobre seus atos.

As crianças precisam de autonomia desde os primeiros momentos em que começam a despertar para o mundo, ou seja, desde cedo. Aos poucos, os pais devem ir permitindo que elas façam algumas tarefas sozinhas, que se tornem independentes e façam escolhas ou tomem decisões. Claro que sempre com os cuidados daqueles que cuidam delas.

Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil, afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos. Assista:https://youtu.be/LJTBoRNPkBU?t=103

A autonomia da criança é importante para a sua formação enquanto cidadã. É por meio dela que a criança se desenvolve e aprende a tomar decisões para a vida adulta. Adquire vivências e experiências, enrique o pensamento e amadurece o pequeno espírito. Toda criança quer aprender, quer fazer as coisas dos adultos, quer nos imitar naquilo que fazemos além de somente nos imitar nas palavras. Somos espelhos para elas.

Logo as tarefas que podemos atribuir às nossas crianças estimulam um crescimento favorável ao desenvolvimento do pensamento cognitivo, das responsabilidades, da memorização e da rapidez em tomar decisões. As crianças gostam de ajudar em casa. Elas se sentem felizes quando são convidadas a participarem junto com os pais de algumas tarefas como dobrar as próprias roupinhas, tomar banho sozinhas, escovar os dentes, poder alimentar-se sozinha ou vestir-se sozinha para ir à escola.

Há muitas tarefas que as crianças podem fazer dentro de uma casa e que lhes garante a autonomia, tendo-se o cuidado de respeitar a idade de cada uma delas. O desejo de serem autônomas já nasce com elas, mas ao longo da infância os pais por cuidados muitas vezes exagerados preferem evitar que elas façam determinadas tarefas e acabam as inibindo, fazendo com que se tornem dependentes.

Deixar que as crianças vivam as suas próprias experiências é uma tarefa importante e desafiadora para os pais e para elas próprias. Ainda que seja difícil permitir que as crianças sejam autônomas porque as vemos pequenas demais para fazerem tarefas que achamos ser só nossas devemos confiar nelas e aos poucos ir lhes atribuindo algumas delas, tais como: tirar a louça da mesa e levar para a pia, arrumar a cama ou guardar os brinquedos.

Não podemos dar às crianças tarefas difíceis ou que possam prejudicá-las de alguma forma, mas também não podemos fazer tudo por elas. Vivemos num mundo em que a competitividade e o mercado de trabalho exigem que os adultos saibam de tudo um pouco e sejam espertos e criativos. Se educamos as nossas crianças com excesso de cuidados não permitindo que elas façam nada dentro de casa, tendemos a prejudicar os seus desenvolvimentos podendo fazer com que elas se tornem adultos frágeis e inseguros.

O estímulo da autonomia deve começar de muito cedo. Quanto antes a criança conseguir enfrentar os desafios que a cerca melhor será para ela. A questão da cidadania, da solidariedade, da caridade e as diversas funções sociais que regem as nossas vidas em sociedade são importantes para o amadurecimento do espírito e o desenvolvimento da autonomia. Uma sociedade, que se diga de passagem, faz cobranças e exigências ao passar dos anos e que espera encontrar crianças preparadas para enfrentarem a vida desde muito cedo.

Não podemos ter excesso de cuidados, mas estarmos junto com as crianças as ensinando a fazerem algumas atividades que podem vir a ser muito boas para elas na vida adulta.

A capacidade de pensar por conta própria e tomar decisões, de realizar atividades do dia a dia e de ser independente fisicamente são benefícios ligados ao desenvolvimento da autonomia. Só para ilustrar o que estamos dizendo aqui citaremos alguns outros benefícios do estímulo a autonomia da criança: psicomotricidade, autoestima, inteligência emocional, autoconfiança, persistência, habilidade social e desenvolvimento cognitivo. Tudo isso colabora com um crescimento saudável e mais autônomo para a criança.

O importante é que os pais saibam valorizar o desejo da criança querer participar de alguma atividade dentro de casa, que ela possa de alguma forma ajudar, dar a sua colaboração, sentir-se útil e responsável. Todos nós gostamos de fazer alguma coisa pelas pessoas ao nosso redor ou pelo mundo. Incentivar a criança a levar o lixo para fora, a dar banho no cachorro, a aguar as plantinhas também são tarefas maravilhosas.

A autonomia não surge do nada, nem do dia para a noite, para uma criança tornar-se autônoma ela precisa do estímulo e motivação dos pais. Quando uma criança recebe esse estímulo desde os primeiros anos ela costuma ter também: boa memória, rapidez no raciocínio, senso de responsabilidade, poder de achar soluções rápidas, criatividade e habilidades especiais.

São vários os benefícios que a autonomia traz à criança. O mais importante de todos é que ela se sinta feliz sendo útil dentro de casa e para os seus pais. Que faça o que lhe pedirem com felicidade e vontade. Sem que nada lhe seja forçado ou obrigado. Tudo precisa ser espontâneo e gratificante para ela. A tarefa de apanhar as folhas secas da árvore do quintal de casa todas as tardes e a checagem da caixa de Correios todos os dias. O bom é que sejam tarefas rotineiras e que tenham horários para serem feitas, pois isso desperta o lado responsável da criança.

Essa independência vai ajudar a criança a ser um adulto mais preparado para o futuro, pois com o passar dos anos as responsabilidades vão chegando e nem sempre os pais estarão por perto para ajudar. Precisamos educar as nossas crianças não para a gente, mas para o mundo, pois logo elas crescerão e não mais nos terão por perto a todo instante.

Ademais, é bom ver a criança exercendo a autonomia sentindo-se livre para fazer as tarefas da casa que lhe foram atribuídas. O processo de autonomia deve ser gradual e visto pelos pais porque cada idade tem seus limites a serem respeitados. Desse modo, é bom não sobrecarregar a criança e nem esperar que ela faça tarefas das quais ainda não consegue fazer sozinha.

As tarefas dadas às crianças devem seguir as suas idades para que não se sintam sobrecarregadas ou até mesmo não consigam fazer com destreza o que lhes pediram e acabem se sentindo desencorajadas e frustradas. Os pais devem ter o cuidado de saberem quais tarefas os seus filhos estão prontos para fazerem sozinhos.

Na escola, ocorre a mesma coisa que em casa. Os professores devem ter cuidados quando derem tarefas para os seus alunos incentivando a autonomia como já dizia o nosso amado e respeitado educador Paulo Freire em seu livro “Pedagogia da autonomia” como podemos ver nas suas seguintes palavras “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente, aos vinte e cinco anos. A gente vai amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser.” Que este vir a ser seja apresentado à criança desde a tenra idade, para que possa ser desenvolvido e experimentado enquanto se pode errar sem sofrer desafetos e frustrações prejudiciais ao emocional.

O estímulo em casa ajudará a criança a se adaptar mais facilmente no ambiente escolar. Na escola, os desafios são ainda maiores para os adultos e pequenos. É preciso saber quais tarefas a criança está preparada para fazer sozinha baseando-se na sua individualidade, amadurecimento e habilidades. Por isso, estes dois ambientes devem trabalhar em conjunto para que a criança alcance sucesso no seu desenvolvimento autônomo. Assim, os professores precisam criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da autonomia, realizar as atividades no tempo adequado para cada aluno, proporcionar liberdade de escolhas e de atividades, trocar ideias e informações, ouvir a opinião das crianças.

Professor, use as brincadeiras para desenvolver a autonomia dos seus alunos. Elas são excelentes para que as crianças se identifiquem com aquilo que poderão fazer com prazer. É por meio delas que as crianças mais aprendem. Você pode criar brincadeiras ou usar as que a criança já está acostumada.

Possibilite a tomada de decisão entre as crianças, pois com isso elas se sentirão responsáveis e poderão escolher tarefas que sabem desenvolver. Crie situações que as crianças possam resolver sozinhas. Assim, elas se sentirão parte de um todo, terão suas autoestimas elevadas e a autoconfiança mais desenvolvida.

Encorajar a criança também é um dos passos para o seu desenvolvimento autônomo. Afinal, o medo é um mecanismo de defesa do ser humano. Mas, o medo também é um grande limitador que nos impede de seguirmos em frente. Isso acontece porque estamos acostumados a parar diante do medo. Quando os pais são superprotetores essa paralisação diante do medo é ainda maior, por isso você, professor, deve ouvir as questões pessoais dos seus alunos, respeitar as suas escolhas e acolhê-los sempre que for possível.

Despertar a independência difere de deixar que a criança tome decisões e faça escolhas por conta própria. O dever dos pais é motivar os filhos todos os dias, orientando, estando ao lado deles, propondo desafios e dando espaço para que eles errem dentro de um ambiente seguro. Um dos maiores entraves é que muitos pais acabam interferindo, pois não conseguem ver os filhos frustrados ou tristes.

Evite dar broncas frequentes na sua criança quando ela errar uma ou outra atividade. O ideal é sentar-se com ela e conversar, perguntar se está tudo bem ou o que está se passando. Ouvir a criança é fundamental para o desenvolvimento da autonomia. A bronca só paralisa, desestimula, desencoraja.

Sempre que possível incentive a sua criança a lidar com as frustrações, afinal na vida todos temos que saber lidar com as perdas e erros. Não proteja demais a sua criança para que ela não viva essa emoção, pois ela é necessária. Tome cuidado para que ela não se sinta machucada por demais com alguma perde ou um erro que cometeu. Mas, a deixe viver o seu momento.

Com efeito, muitos pais cometem o erro da superproteção e acabam criando filhos inseguros, imaturos e desobedientes, que não sabem lidar com as perdas. Uma boa forma para a criança aprender isso são os jogos e as práticas esportivas em que haverá um vencedor e um participante.

Na verdade, ao longo da vida a criança precisará enfrentar muitos obstáculos, desafios e pedras no seu caminho e nada melhor do que ela esteja preparada para tomar decisões sozinha e sinta-se confiante e pronta para fazer escolhas sábias que poderão decidir o rumo da sua vida. Mesmo que os pais tentem tardar essa liberdade em algum momento da vida a criança terá que fazer as suas escolhas, logo é importante que desde cedo aprenda a ser autônoma.

Finalizo este texto com um poema do meu poeta português predileto e com quem aprendi a escrever não somente poemas para crianças, mas tudo o que me vem ao pensamento transcrevo para o papel, Fernando Pessoa que nos seus versos lindos nos diz “Quando as crianças brincam / E eu as ouço brincar, / Qualquer coisa em minha alma / Começa a se alegrar. / E toda aquela infância / Que não tive me vem, / Numa onda de alegria / Que não foi de ninguém. / Se quem fui é enigma, / E quem serei visão, / Quem sou ao menos sinta / Isto no coração.”

Que toda criança possa viver a sua infância do seu jeito e com a sua individualidade sendo respeitada a sua vontade de desenvolver a autonomia quando quiser ajudar em casa ou na escola com aquilo que saber fazer e sente-se bem ajudando.

O vir a ser é necessário para o crescer emocional e físico. Que Fernando Pessoa, junto a Paulo Freire, conquistem pais e professores que permitam as crianças a serem autônomas e a desenvolverem as suas habilidades físicas e espirituais.

Autora: Rosângela Trajano

Independência?

Acredite na democracia e acredite no seu poder das tuas escolhas. É ela o único meio que temos para promover a verdadeira mudança, a verdadeira independência, que, no fundo, deve partir e ser refletida por cada um de nós.

Estado de não se achar sob domínio ou influência estranha. Autonomia [1]. Depender, assim como o francês dèpendre, proveio do latim dependere, formado de de-, “para baixo” e pendere, “pender, estar pendurado”. Portanto, “depender” é literalmente “pender para baixo, estar pendurado (em algo ou alguém)” [2]. Já o prefixo IN acaba atribuindo ao termo uma posição contrária, ou seja, aquilo que não depende de algo ou alguém, apresentando, portanto, uma certa ideia de liberdade.

No dia 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I decide acatar o clamor da população, proclamando a célebre frase “se é para o bem de todos e a felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”. Alguns meses depois, às margens do Rio Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822, trajado a carácter de si — como um príncipe — montado em um belo cavalo, ele inclina a sua espada aos céus e dá voz a sua alma: “Independência ou Mooooorte”! O que aconteceu depois ninguém sabe… (brincadeira, há indícios que guerras eclodiram em algumas partes do Brasil).

A verdade é que, graças a uma sucessão de fatos, sendo eles os mais realistas ou mitológicos possíveis, hoje somos um país independente. E, ao observar as histórias concernentes às independências, podemos avaliar que, na grande maioria delas, a sua semente germina por meio de um acúmulo de mal-estar coletivo que seguidamente se relaciona às formas de exploração e desrespeito.

A impressão que tenho é que possuímos um anseio, quase que inerente ao humano, por igualdade de direitos e em dignidade, que afronta qualquer tipo de contradição a esses preceitos. Quando reconhecemos isso, alimentamos uma repulsa pelo status quo, que incentiva a mudança, mesmo a alto preço.

Eu olho para a história e fico admirada com a infinidade de pessoas que colocaram a própria vida em risco, superando seus maiores medos em prol de um ideal, ou melhor, em prol daquilo que consideravam ser a justiça e isso se traduz por independência ou morte.

Eu olho para o presente e reconheço esse mesmo espírito, que ainda vive em cada um de nós, brasileiros, e clama pelos mesmos princípios. Nos sentimos seguidamente explorados e injustiçados pela máquina pública, que consome a nossa energia (tempo e dinheiro) para financiar escândalos e a falta de ética. Não confiamos na política, mas é a política quem nos governa. Como podemos viver assim?

Fomos abrigo para muitos imigrantes. Nossas terras férteis salvaram diversas pessoas que abandonaram o Velho Mundo com a esperança de dias melhores, a mesma esperança que ainda pulsa no coração dos brasileiros. Foi 199 anos de “independência”. De famílias que literalmente partiram do zero e ajudaram a construir uma nação repleta de cor, cultura e sabor.

Graças a essa receptividade, é que somos gigantes pela própria natureza, não só a ambiental, mas também humana: que abrange o mundo inteiro e resulta no ser brasileiro. Eu sei, nem só de flores são compostos os nossos campos — tem muito agrotóxico por aqui também!

E, quando tudo parece perdido, ainda mais em função da nossa desestrutura política, eu penso: calma! “Ainda somos jovens” ♪ como nação e a evolução moral se constrói com base nos nossos erros, ou melhor, com base naquilo que aprendemos com eles. E, com isso, muitas vezes precisamos de tempo, acontecimentos, e o principal, discernimento.

Outrossim, é válido alertar que a evolução moral não acontece quando temos fome ou quando não conseguimos o mínimo para sobreviver, nesses casos, na imensa maioria das vezes, o que rege é o instinto de sobrevivência. Só após preenchidas as nossas necessidades primitivas é que conseguiremos nos aprofundar em nossos valores e nas estruturas que nos fundamentamos para gerir o meio social.

Com base nisso, observa-se a importância de capacitar os brasileiros para serem autônomos. Em um primeiro momento, emocionalmente e financeiramente, em um prazo mais distante, intelectualmente. Para que a nossa ajuda sirva para ajudar a quem precisa a não precisar mais de nossa ajuda.

O maior desafio aqui, é justamente, ensinar a pescar, pois, considero não haver nada mais digno para um ser humano que não depender de alguém ou de algo para gerir a sua própria vida e isso se traduz pela verdadeira independência.

Em matéria de Brasil, eu continuo a olhar com esperança para o futuro, reconhecendo e me relembrando constantemente de que uma evolução moral é lenta e gradual. Faço um esforço para identificar, a cada pequeno gesto ou ação os princípios que estão nos fortalecendo e nos unindo como um povo. Assim eu não sucumbo, assim eu me alimento.

E com base nessas ínfimas observações, eu afirmo: a evolução moral está acontecendo. E a prova disso, é o que os seus ancestrais foram e o que você é, e o quanto o que eles construíram ainda têm lhe dado suporte, para que você sane as suas necessidades básicas, e tenha espaço para investir na sua formação, tenha tempo para ler um texto reflexivo como este e cognição suficiente para interpretá-lo, argumentar e até mesmo discordar.

Outro indicativo de tal evolução é a ascensão da Filosofia, aqui no Brasil, e com ela a descoberta de que nem só de exatas vive o homem e muito menos uma sociedade (já alertava o hino rio-grandense: povo que não tem virtude acaba por ser escravo!).

Estamos nos dando conta de que o PIB não se traduz por felicidade da nação e de que o dinheiro nunca comprará os nossos valores. Sentimo-nos exauridos com o sistema de barganha que contamina e degrada o nosso primeiro e fundamental ideal, aquele que Dom Pedro I instaurou a 199 anos: “se é para o bem de todos e a felicidade geral da nação”.

Onde então a felicidade pode ser encontrada? Na prática daquelas coisas que a natureza do homem exige. Como então ele fará tais coisas? Com seus dogmas, ou princípios morais e opiniões (dos quais todos os movimentos às ações se originam) sendo corretos e verdadeiros. Quais são tais dogmas? Aqueles que se relacionam ao que é bom ou mau, visto que não há nada verdadeiramente bom e benéfico para o homem além daquilo que o torna justo, temperante, corajoso, liberal. E não há nada verdadeiramente mau e prejudicial ao homem senão aquilo que causa os efeitos contrários (Marco Aurélio, demonstrando que a Filosofia é atemporal e muito úteis para os tempos atuais).

Diante do exposto até aqui, eu lhe aconselho: recupere a consciência de que o Político deve ser aquele que tem o ideal de justiça. Desmistifica a ideia de que eles são de outra espécie, distantes de nossas realidades e de nossas necessidades.

Aproxime-se da política, e escolhe, com cautela, os seus representantes; educa a população. Acredite na democracia e acredite no seu poder de escolha. É ela o único meio que temos para promover a verdadeira mudança, a verdadeira independência, que, no fundo, deve partir e ser refletida por cada um de nós.

Fontes:

[1] Dicionário Online Priberam https://dicionario.priberam.org/

[2] Etimologia https://diariodeumlinguista.com/2020/09/07/no-dia-da-independencia-a-origem-da-palavra/

Autora: Ana P. Scheffer

[3] Meditações: o diário do Imperador Estoico Marco Aurélio. Tradução de Willians Glauber. — São Paulo: Citadel, 2021. P. 107–108.

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