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A criança que sente fome não consegue aprender

Muitas vezes, as crianças precisam daquela comida que a escola lhes oferece. Os estudos ficam em segundo plano. A fome não nos deixa pensar em outra coisa senão em comida.

O Brasil tem 33 milhões de pessoas no mapa da fome no dia de hoje e só crescem os números. Dessas pessoas, milhões são crianças que não têm o que comer ou comem mal. Muitas delas vêem na escola uma forma de receber alimento e é lá onde conseguem encher a barriga para sobreviverem.

Mas, sei que apenas uma refeição para cada criança na escola ainda é pouco, pois no início da aula ela não conseguirá absorver quase nada com a sua barriga vazia, e só depois de se alimentar se sentirá pronta para o ensino-aprendizagem, no entanto quando chega a hora de ir para casa creio que deveria ser servida outra alimentação para que esta criança pudesse chegar em casa alimentada e com disposição para fazer as suas tarefas de casa, brincar e se divertir como faz toda criança e é direito seu.

Eu já senti fome. E sei do que falo. Na minha infância senti vontade de comer e não tinha nada em casa. Nada mesmo. Quando falo de fome não é teoria, mas a experiência de quem teve que ir às ruas à procura de comida como qualquer criança pobre brasileira. E foi uma experiência tão marcante e dolorosa que hoje tenho medo de ficar sem comida na minha geladeira.

A dor da fome vai matando aos poucos.

A barriga vazia, a dor de cabeça e a fraqueza no corpo. Senti fome não porque moro no Nordeste e devido a falta de água. Senti fome porque tive um pai irresponsável que largou quatro filhos com uma mulher doente e que não podia mais trabalhar para dar de comida às suas crianças. Se procurarmos famílias assim pelo nosso país encontraremos aos montes.

Há crianças com mães solos, crianças com pais alcóolicas, crianças que vivem sozinhas pelas ruas e nunca experimentaram um bolo de chocolate ou um sanduíche. Catam comida nas latas de lixo dos restaurantes e das padarias. Pedem comida às pessoas de casa em casa. E o que é pior trabalham para comprarem um pão para comerem ou pregam os rostos nas vitrines das docerias para sentirem o cheiro que vem lá de dentro como se esse cheiro pudesse matar as suas fomes.

Quando senti fome tive que trabalhar como faz a maioria das crianças brasileiras. Não larguei a escola porque lá eu tinha a merenda garantida. Vi a minha mãe chorar ao colocar os pratos na mesa com uma sopa feita de água e cheiro verde pra gente comer num fogão à lenha porque sequer o carvão ela podia comprar.

A fome é o pior mal que pode acontecer a uma criança. Ela não sabe dizer o que sente, ela não quer brincar, ela se sente fraca e sem forças para andar pelas ruas. As suas costelas vão aparecendo aos poucos, começa a desnutrir-se e acaba morrendo de fome. É triste ver alguém morrer de fome, porém é o que estamos vendo acontecer no nosso país todos os dias.

Os ricos cada vez mais ricos, o ódio aumenta cada vez mais, as desigualdades sociais, o medo, a inocência, a estupidez e a opressão aos negros tudo isso tem desencadeado um processo de transformação na cultura e qualidade de vida dos brasileiros que moram em periferias. O desemprego, a criminalidade, a violência, a ignorância têm levado às pessoas para o fundo do poço, para procurarem ossos nos carros de lixo ou nas caçambas de ferro onde alguns açougues costumam jogar os seus restos.

Parece que não estamos mais preocupados com a vida dos nossos irmãos pobres. Pensamos somente em nós. Talvez por estarmos vivendo uma situação parecida com a inflação cada vez maior e o aumento dos preços da cesta básica todos os dias, o corte de alguns alimentos que antes tínhamos nas nossas mesas e agora não podemos mais comprar. Os alimentos mais básicos têm aumentado bastante nos últimos tempos.

Eu me lembro bem que até seis meses passados comprava um pão por dez centavos, hoje um pão na minha cidade custa cinquenta centavos. O preço do tomate, da cenoura, do feijão e da carne subiram muito nos últimos tempos. E quando podemos comprar algum desses alimentos nos falta o dinheiro do gás de cozinha.

A criança que sente fome não dorme direito, tem pesadelos, faz xixi na cama e não consegue aprender como deveria.

Ela tem os olhos fundos e a cabeça é desproporcional ao seu corpo. Tem delas que com três ou quatro anos de idade nunca viu um prato de feijão, não sabe o que é um pedaço de bife de carne. É doloroso. É revoltante. Isso não deveria ser mais permitido acontecer.

Eu sofri na minha infância com a fome. Eu chorei com a fome. Devia existir uma lei internacional para que nenhuma criança sentisse fome em nenhum lugar do mundo porque é muito sofrimento. Como não sabemos direito ainda o que é a morte a gente fica esperando que caia do céu algo para comermos. Que apareça alguém que nos dê uma fruta ou um pedaço de pão para nos alimentarmos. A gente não deseja nada porque não temos forças para desejar. Ficamos quietos ali sentados no chão à espera de que algo nos aconteça sem saber o que exatamente.

Nove crianças morrem a cada minuto devido à falta de nutrientes essenciais em suas dietas.

O cenário continuará o mesmo a menos que a ajuda alimentar chegue a quem precisa. Quando crianças sofrem de desnutrição grave, seus sistemas imunológicos ficam tão debilitados que se amplia imensamente o risco de morte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a desnutrição é a maior ameaça ao sistema de saúde público mundial, com 178 milhões de crianças desnutridas no mundo.

Morrem milhões de crianças desnutridas no mundo e essa desnutrição ocorre por falta de alimentos básicos ao pequeno corpo. Na minha casa a gente tinha uma geladeira com garrafas de água dentro, mas quando a mamãe não pôde mais pagar a conta de luz a gente ficou somente com a geladeira para olharmos para dentro dela na esperança de que um dia ela estaria cheia de novo.

Sempre fui defensora de três merendas escolares.

Uma na entrada outra na metade da aula e uma última no fim da aula porque sei que tem criança que vai à escola somente comer. Ela precisa daquela comida que a escola oferece. Os estudos ficam em segundo plano. A fome não nos deixa pensar em outra coisa senão em comida. Eu mantinha meus olhos fechados quando sentia o cheiro da comida que vinha da casa da vizinha e se senti alegria um dia nesta vida foi quando mamãe ganhou um caldeirão de feijão preto para que comêssemos no almoço. Os meus irmãos neste dia pegaram caranguejos no mangue que tem perto da minha casa até hoje e venderam alguns na feira. Com o dinheiro mamãe comprou feijão e arroz e podemos depois de dez meses ter uma refeição sadia.

A minha história com a fome foi de lutas e de vontade de que o tempo da infância passasse rapidamente para eu poder crescer e ajudar a minha mãe e os meus irmãos financeiramente. Com onze anos comecei a trabalhar vendendo vestidos de bonecas para as minhas amigas. O que ganhava trazia para casa. Era pouco, mas já dava para ajudar a comprar o pão. Uma vizinha amiga e pessoa de bom coração nos cedeu água potável para tomarmos banho, fazer a comida e bebermos.

Eu tinha um cajueiro no quintal da minha casa que era quem matava a minha fome. Eu chupava os seus cajus, mamãe fazia sopa de caju para a gente e comíamos ele cozido. Era uma delícia as várias receitas que mamãe inventava. Foi o meu cajueiro que matou a minha fome na infância. A gente também criava bichinhos que foram todos sendo mortos para que pudéssemos comer. Quando acabou tudo e já não tínhamos mais nada para comermos começamos a chorar de fome e deixamos mamãe desesperada.

A miséria caminha lado a lado com a fome no Brasil.

Uma em cada três crianças está com anemia no Brasil neste momento. Muitas mães para salvarem os seus filhos da fome infelizmente as deixam sob a guarda de outras pessoas, dos companheiros dos quais estão separados faz algum tempo, dos avós ou dos familiares que possam dar um prato de comida para eles. Algumas crianças são largadas nas ruas e sobrevivem sob os cuidados de outras pessoas em situação de rua que têm amor por elas e não as deixam sentirem tanta fome.

Em 2014 o Brasil era apontado pelas Nações Unidas como um país exemplar para os demais e ficamos fora do mapa da fome.  O tempo passou, as coisas mudaram e hoje os governantes não conseguem mudar o cenário político-econômico-financeiro que se estabeleceu no país. A inflação está alta, os empregos formais deixaram de existir, o preço da cesta básica cresceu assustadoramente e o salário-mínimo não acompanha as necessidades básicas da vida de um pai de família.

Mesmo com os auxílios oferecidos pelo governo federal, depois da pandemia do Coronavírus, ainda assim a fome só tem aumentado no nosso país. O problema está cada vez mais complicado.

É triste ver uma mãe entregar os seus filhos a desconhecidos para que eles não morram de fome.

O mais triste é vermos crianças desesperadas, com as mãos para cima ou estendidas pedindo um pedaço de pão ou um prato de feijão nas grandes cidades brasileiras. Tivemos uma redução de crianças que mendigavam de porta em porta em anos anteriores, mas já é possível vê-las novamente pedindo comida e carregando sacos nas costas pelas ruas das cidades onde as pessoas ainda abrem as portas das suas casas para atenderem um chamado ou um bater de palmas.

Não estou criticando aqui ninguém, mas alguém é responsável por toda essa fome e desigualdade social que vem ocorrendo no Brasil. Alguém que pode fazer alguma coisa por essas crianças e pelas famílias pobres moradoras de periferias deve descer do palanque das eleições e salvá-las antes que a fome as mate covardemente. É preciso logo que façamos alguma coisa ou teremos uma nova pandemia no país dessa vez de fome generalizada porque até as pessoas de classe média estão cortando os seus orçamentos imagine as que vivem de empregos informais e mal ganham para se alimentarem.

Atualmente, a cesta básica consome 65% do salário-mínimo, conforme o Dieese. Porém, 18,8 milhões de crianças com menos de 14 anos vivem em lares com renda per capita inferior a meio salário-mínimo, mostra a PNAD de 2019, e isso tem crescido muito nos últimos 03 anos. São dados que podem ser considerados desatualizados, é só para termos uma ideia da gravidade do problema.

Como se diz a frase “quem tem fome tem pressa”.

Não deixemos para dar um pão a uma criança amanhã se podemos ajudá-la a matar a sua fome hoje. Amanhã talvez seja tarde demais. Não deixemos de ajudar as crianças do nosso país preocupadas com crianças de outros continentes mais pobres, porque a fome é uma só. Ajudemos a quem pudermos. Do jeito que pudermos. A fome mata. A fome é uma coisa triste.

Creio que o poema de Manuel Bandeira nunca foi tão necessário à nossa leitura o quanto os dias de hoje onde ele nos diz

“Vi ontem um bicho / Na imundície do pátio / Catando comida entre os detritos. / Quando achava alguma coisa, / Não examinava nem cheirava: / Engolia com voracidade. / O bicho não era um cão, / Não era um gato, / Não era um rato. / O bicho, meu Deus, era um homem.”

E para que não vejamos mais nenhum homem catando comida em latas de lixo ou caçambas de caminhões à procura de ossos façamos a nossa parte doando um pouco do que temos para quem sente fome. Porque o homem com fome pode se transformar num bicho selvagem à procura de comida e atacar outro bicho homem atrás de comida.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alexsandro Rosset

A fome

A fome não está só nos que morreram/ e nem apenas nos que não comeram/A Fome também está nos que foram enganados:/ nos que pensam que sobreviveram.

A Fome é um menino magro

de barriga inchada.

Tem pernas finas como dois gravetos

insistentes e tímidos

que teimam sustentar a carne

Viajada, a Fome Faminta,

mora por toda a parte

mas passa férias no Biafra.

E é de lá que envia postais

sem nenhuma arte

para a National Geographic.

A Fome

é uma senhora gorda

e cheia de plásticas.

Tem os braços enroscados

em argolas caras

e um pescoço duro

de colares de diamantes raros.

Ávida e sempre azeda,

traída por flatulências,

esta Senhora coleciona todos os tipos de bolsas

mas prefere as de valores.

A Fome é linda

quando aparece no Cinema

e essa beleza mata

(enquanto ganha um Oscar)

Com os olhos inflados de glórias

e distribuindo autógrafos

ela, a Fome, escreve suas memórias.

A Fome é farta

nas longas mesas de banquetes

onde se pede que a precedam,

em doses miúdas e bem educadas,

por aperitivos e canapés.

Ela, a Fome Cerimonial,

está em cada um dos cem convidados

e em cada um dos milhares de garfos

eternamente ausentes

de todos os deserdados

A Fome cutuca os ricos

duas ou três vezes por dia

mas no Pobre gruda

como um carrapato

Paradoxal, a fome também está

em uma estranha epidemia americana:

a Gordura

Ela grita de obesidade

pelos poros dos que dominaram o mundo

A Fome está no açúcar que foi queimado

e naquele que já não foi.

Viscosa, ela escorre pelo ralo

para atender ao Mercado.

Lá vai ela, sorrateira,

entre caixas de tomates não comidos,

sob a triste forma de leite derramado

Traiçoeira, a Fome é vingativa.

Está nas prostitutas que venderam seus corpos

para terem o que comer;

mas é Ela, somente Ela

a Grande Prostituta

anunciada pelos profetas que morreram

em longas greves de fomes

A Fome é indecente,

mas se veste bem.

Como o Diabo, veste Prada

e como um duende se esconde

no caroço de uma empada.

A Fome é alta costura:

perfeita para poucos,

mas pesando sobre muitos outros,

ela rebola de bunda murcha

e finge estar na moda.

Lá vai ela, a Fome

rolando pelas estradas

espiando pelas viseiras

seletiva nos seus destinos

Ela vive, quando se diz

que há muito já se acabou

(e até sorri com isto)

A Fome, covarde e cínica,

esconde-se nas estatísticas

manipuladas

e arranha teus rins e tuas entranhas

através de complicados cálculos

matemáticos.

A Fome está (ou estava)

nas oito pessoas que dela morreram

quando tu lias este poema

Não há como escapar da Fome:

ela está na miséria e na opulência

Escapa-se, sim, através da Morte

quando ela se torna mais um número

no Ministério do Planejamento

Mas a fome não está só nos que morreram

e nem apenas nos que não comeram

A Fome também está nos que foram enganados:

nos que pensam que sobreviveram.

Assista esta poesia em vídeo: https://youtu.be/H0kTNoSxARA?t=95

NOTA: Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (8/6/2022) revela que 33 milhões de pessoas estão passando fome no Brasil. Em pouco mais de um ano, foram 14 milhões de brasileiros que entraram para o mapa da fome. O levantamento, realizado pelo instituto Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), mostra, ainda, que 58,7% da população vivem com insegurança alimentar. A situação atual é equivalente ao patamar da década de 1990. Leia mais: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/brasil/2022/06/33-milhoes-de-pessoas-passam-fome-no-brasil-aponta-pesquisa.html

FONTE: file:///C:/Users/VAIO/Downloads/POESIA%20FOME.pdf

Autor: José D’Assunção Barros, professor e poeta

Edição: Alexsandro Rosset

Em tramas e claro

Um poema aos enamorados!

Para mim, do sol és lenha

e desfibras minha alma como ao linho.

Entre mim e ti, tear tecendo,

teia natural como um sorriso,

luz no abrir de bocas.

No varal, toalha de auroras, o amor se quara.

Ao ir-se a tarde,

a ternura trama pães pra ceia.

Sente-se e fique.

Um pátio à porta,

de azul luminescente.

Em luz e linho, o amor,

quarando-se na tarde

desfia e tece

outro sol nascente.

Autor: Pablo Morenno

Edição: Alexsandro Rosset

Filosofia para enfrentar os medos

O pensamento racional filosófico, cuidadoso, abrangente e crítico nos ajuda a enfrentar o medo e construir espaços de socialização condizentes com uma vida saudável e de qualidade.

 

O medo é uma das emoções ou um dos sentimentos primordiais do ser humano. Desde as origens da espécie humana, o medo tem sido uma das reações fundamentais para viver e conviver. Os estudiosos mostram que o medo está na raiz das grandes motivações humanas. Os mitos, as religiões, as ciências, as filosofias, as diversas culturas, enfim todas as criações e realizações humanas não deixam de ser uma forma antropológica de reagir e enfrentar os medos da existência.

Biologicamente, o medo constitui uma reação natural de preservação da vida. Sem o dispositivo do medo estaríamos expostos ao perigo constante. A ausência do medo faz com que não tenhamos a noção de perigo e com isso estaríamos expostos à condição de risco.

No entanto, o excesso de medo e o medo constante pode nos paralisar, causar patologias incuráveis. As diversas fobias que fazem parte dos estudos da psicologia e das ciências da mente são evidências que mostram o quanto o medo pode se tornar destrutivo na condução da vida e atrapalhar a construção de uma personalidade saudável.

A sociedade brasileira de inteligência emocional (SBIE) divulgou recentemente um estudo que indica os 12 principais tipos de medo (fobias). São eles: acrofobia (medo de altura), agorafobia (medo de espaços abertos ou de multidões), aracnofobia (medo de aranhas), catastrofobia (medo de catástrofes ambientais), claustrofobia (medo de lugares fechados), fobia social (medo de pessoas), glossofobia (medo de falar em público), hematofobia (medo de sangue, injeções ou feridas), monofobia (medo de ficar sozinho), nictofobia (medo da noite ou do escuro), tanatofobia (medo da morte) e zoofobia (medo de animais).

A fobia é definida pela SBIE como sendo um medo irracional e neurótico diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo imediato. As pessoas neuróticas sentem tanto medo que evitam determinadas situações e acabam num certo isolamento social que prejudica a convivência e uma vida saudável e de qualidade.

A lista sobre os medos (fobias) poderia ser infinita e certamente nos próximos anos surgirão novos nomes para identificar os novos medos que surgem diante das transformações culturais ­­­e da evolução tecnológica. O mesmo estudo realizado pela SBIE mostra que as fobias atingem cerca de 10% da população mundial, e qualquer pessoa pode ser acometida por uma em algum momento de sua vida.

As fobias podem surgir de experiências traumáticas ou pela convivência com pessoas que são portadoras de algum tipo de fobia. “A melhor forma de tratar uma fobia”, indica o estudo, “é por meio da alteração emocional entre o indivíduo e o objeto ou situação que provoca o medo”.

Processos terapêuticos que promovem o reprocessamento emocional das situações relacionadas ao medo são os mais indicados para reprogramar os sentimentos e enfrentar os objetos ou situações que desencadeiam a fobia. Dependendo da gravidade e intensidade da fobia, se faz necessário o uso de medicação para equilibrar e ajustar as disfunções neurológicas.

Para além dos casos patológicos que precisam na maioria das vezes de ajuda profissional, há certos medos que precisam ser enfrentados. Me refiro aos medos cotidianos, banais, comuns, aparentemente inocentes, que muitas vezes se transformam em algo destrutivo para a boa convivência entre as pessoas.

A título de exemplos, menciono aqui aos medos provenientes dos preconceitos, da ignorância, da insensibilidade e da falta de caráter que impulsiona comportamentos doentios de discriminação, de racismo, de ódio, de violência, de apartação social.

Nesse sentido, o pensamento racional filosófico, cuidadoso, abrangente e crítico nos ajuda a enfrentar o medo e construir espaços de socialização condizentes com uma vida saudável e de qualidade.  

Leia também “A filosofia em busca de si mesmo”: O que me define, minhas origens, meu futuro não pode ser expresso com um nome, ou com uma explicação biológica, ou com a projeção de algo que hipoteticamente pode acontecer. Na tradição filosófica não faltaram definições sobre o humano, sobre a gênese, sobre a finalidade do existir”. Leia mais: https://www.neipies.com/a-filosofia-enquanto-busca-de-si-mesmo/

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alexsandro Rosset

Educação superior: mais retrocessos e falácia eleitoral

A história não se abre e fecha por si, são os homens e mulheres em luta que abrem e fecham o circuito da história” (Florestan Fernandes, 1977)

Para o professor, antropólogo e sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) o que se tem chamado de desenvolvimento no Brasil, em realidade, não passa de um processo de modernização e de capitalismo dependente, no qual a classe dominante brasileira.

Uma minoria prepotente que se associa ao grande capital, abrindo-lhe espaço para sua expansão. Isso resulta na combinação de uma altíssima concentração de capital para poucos com a manutenção de grandes massas na miséria, o alívio da pobreza ou um precário acesso ao consumo, sem a justa partilha da riqueza socialmente produzida.

O filósofo e educador Gaudencio Frigotto (UFRJ/Uerj) considera que a síntese do sociólogo Florestan, feita há décadas, ganha hoje um realismo sem precedentes.

A classe dominante brasileira, pequena, autoritária, racista, moralista, antipovo, anticlasse trabalhadora, antiEducação e Ciência, humanamente rasa e insensível sustenta, no momento presente, um (des)governo que nos transforma cada vez mais em um país gigante com pés de barro.

Logo, para o projeto da “elite do atraso”, destruir a Educação e a Ciência brasileira é necessário.

O novo bloqueio de 14,5% (R$ 3,8 bilhões) no orçamento das universidades federais em 27 de maio deste ano é emblemático e confirma a tese de redução contínua e sistemática, desde 2016.

Esse corte atinge os valores orçamentários de custeio e o investimento, conforme denuncia a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes):

“após todo o protagonismo e êxitos que as universidades públicas demonstraram até aqui em favor da ciência e de toda a sociedade no combate e controle direto da pandemia de covid-19; após o orçamento deste ano de 2022 já ter sido aprovado em valores muito aquém do que era necessário, inclusive abaixo dos valores orçamentários de 2020; após tudo isso, o governo federal ainda impinge um corte de mais de 14,5% sobre nossos orçamentos, inclusive os recursos para assistência estudantil, inviabilizando, na prática, a permanência dos estudantes socioeconomicamente vulneráveis, o próprio funcionamento das instituições federais de ensino e a possibilidade de fechar as contas neste ano” (Andifes).

Esse projeto em curso do governo brasileiro confronta-se com as propostas da III Conferência Mundial de Educação Superior (CMES) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) transcorrida em maio, na cidade de Barcelona, Espanha.

Foram destacados nesta conferência os valores que criaram as universidades, tais como: o ideal humanista, a emancipação por meio do conhecimento, a liberdade, os direitos humanos, a justiça e a paz.

As universidades sempre foram forças fundamentais para transformar a própria sociedade e a realidade em que estão inseridas.

A CMES 2022 revisitou e reafirmou a missão das universidades: formação de cidadãos globais preparados para atuar na complexidade; geração e compartilhamento de conhecimento, ciência aberta e abordagens transdisciplinares; engajamento social, desenvolvimento e responsabilidade ética.

Desmonte

Enquanto isso, no Brasil, a Rede Pública Federal composta de Universidades e Institutos Federais vêm sendo sistematicamente fragilizada e inviabilizada.

Paralelamente, o segmento educacional privado, com dois terços das matrículas do ensino superior, sob o efeito da financeirização, da EaD e sob ataque dos empresários do setor, colocam os professores enquanto categoria em extinção nessas faculdades.

Vejamos algumas evidências:

O mais recente Censo de Educação do Ensino Superior, divulgado em maio ano, registrou a primeira queda de matrículas nas universidades federais (UFs) brasileiras desde 1990.

No período de 2019 a 2020, o número de estudantes que entraram no ensino superior pelas UFs passou de 1,3 milhão para 1,2 milhão.

E, ainda, cerca de 270 mil estudantes suspenderam a graduação por tempo indeterminado. Essa queda de matrículas é, em parte, explicada pela redução dos investimentos nas instituições e suspensão das políticas apoio estudantil;

Já as instituições privadas registraram aumento no número de ingressantes, chegando a corresponder a 86% do total das matrículas no ensino superior em 2020.

Porém, 53,4% desse ingresso ocorreu no ensino a distância, foram mais de 2 milhões de estudantes que se matricularam no ensino remoto, enquanto 1,7 milhão de estudantes, cerca de 46,6%, ficaram no ensino presencial.

Modelo de negócios

Para Andrea Harada, Gabriel Teixeira e Plínio Gentil, em recente artigo no Le Monde Diplomatique Brasil, o mercado educacional se converteu e se consolidou como modelo de negócios, atraindo investidores de toda natureza (muitos sem vínculo com a educação), sem qualquer relação com a democratização do ensino superior, com a redução das desigualdades ou com o desenvolvimento do país.

Na realidade, representam a efetiva oportunidade de valorização dos capitais privados de várias partes do mundo e, os estudantes, são tratados como ativos financeiros e, os docentes, como custos a serem eliminados.

Porém, neste ano decisivo para o futuro do país, a educação é novamente vítima de falácias eleitorais.

Os mesmos governantes e políticos que descumpriram os percentuais constitucionais de investimentos em educação, que reduziram gastos inclusive na pandemia, que apoiaram e aprovaram cortes orçamentários nas verbas da educação e da ciência, realizam novas falsas promessas da educação enquanto prioridade.

Princípios

Cabe registar que princípios como honestidade, coerência e compromisso com a educação não são negociáveis.

A primeira atitude séria deve ser alçar a educação e a ciência brasileira ao status de Política de Estado, fora do teto de gastos, impedindo ingerências político-eleitoreiras e de governos transitórios.

A primeira coisa a fazer para resolver um problema é admitir que ele existe.

A segunda é identificar sua origem e, a terceira, resolver a causa originária; no caso, os oportunistas e falaciosos defensores da educação.

É inadmissível que os cargos de ministros e secretários de educação sejam ocupados por pessoas alheias às escolas e às universidades.

Quem conhece e faz a educação são os professores. Jamais um CEO, um militar, um pastor, um técnico ou empresário deveria responder por essas funções educacionais, a exemplo das melhores experiências internacionais.

A nossa Constituição Federal (CF) de 1988 aponta os fundamentos da República brasileira: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e pluralismo político.

A mesma Constituição define os seus objetivos: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (artigos 1º e 3º).

É nela, também, que consta a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, visando à garantia do pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (artigo 205).

Para que esses fundamentos e objetivos do Estado democrático se concretizem e a educação de qualidade se efetive, é necessário garantir o atendimento aos princípios do artigo 206:

– igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

– pluralismo de ideias e concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

– gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

– valorização dos profissionais da educação, com planos de carreira e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;

– gestão democrática do ensino público;

– padrão de qualidade;

– e piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação pública, nos termos de lei federal.

Já dizia Florestan Fernandes: o intelectual, seja professor ou pesquisador, não cria o mundo no qual vive. Ele faz muito quando consegue ajudar a compreendê-lo, como ponto de partida para a sua alteração real.

Portanto, não será com privatização da educação, nem com educação a distância, muito menos com ensino domiciliar (homeschooling), com pactos paralelos pela educação, com educação meritocrática ou empreendedorismo individual (“Crie o impossível”) que vamos priorizar a educação como pilar para reconstruir e transformar o Brasil.

Portanto, estas eleições oportunizam substituir as bancadas da “bala”, “evangélica” e similares por representações legítimas e qualificadas de professores, cientistas, jovens estudantes e gestores de escolas e universidades.

A decisão está em nossas mentes e em nossas mãos. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

Autor: Gabriel Grabowski

FONTE: Educação superior: mais retrocessos e falácia eleitoral – Extra Classe

Edição: Alexsandro Rosset

O poeta e o principezinho: as flores e a flor. Uma comparação do poema Flores de Jean Sartief com a flor do Pequeno Príncipe Flores

À sombra de uma árvore

repousa o meu coração de jardineiro. Desdobrei-me em cuidados.

Jean Sartief em Jardim dos Abismos, 2018

Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante…

Antoine de Saint Exupéry, O pequeno príncipe

“Eu cantarei de amor tão docemente”, anunciou o poeta Luiz Vaz de Camões. Assim cantamos o amor, com a doçura dos nossos corações e a sabedoria do rei Salomão nos seus Cantares.

É sabido que o amor é o mais belo sentimento do mundo, o mais sincero e único, o que cura doenças e faz o inimigo temer. Aquele que nos faz largar qualquer coisa pelo nosso amante. Sendo assim, não poderia ser diferente o cuidado que o poeta Jean Sartief dedica a seu jardim daquele que Saint Exupéry demonstra ter, em seu Pequeno Príncipe, com sua flor. Ambos cuidam porque amam incondicionalmente. Um tem um jardim, o outro tem apenas uma flor. Quem será mais feliz? Existirá felicidade no plural? É possível amar por igual?

A verdade é que o poema “Flores” de Jean Sartief dialoga com a flor do Pequeno Príncipe de forma única e angelical, como se fossem duas crianças a cuidarem de algo precioso que não pode ser perdido, que não pode ser machucado, que não pode desaparecer dos seus olhares cuidadosos, porque quem ama desdobra-se em cuidados num planeta cheio de árvores ou em um planetinha onde há apenas uma flor.

Não importa o lugar. Importa o cuidado. Este que temos perdido ao passar dos anos, com a nossa pressa em estarmos sempre em mil lugares ao mesmo tempo e fazendo um milhão de coisas sem nos darmos conta de quantas pessoas e seres estão precisando de nós, do nosso amor e do nosso afeto.

O poeta brasileiro Jean Sartief se diz um jardineiro à sombra de uma árvore. Lá está o seu coração e, certamente, o seu grande tesouro. Como diz Mateus (6:21), “onde está o teu tesouro, aí está o teu coração.”

O coração de Sartief encontra-se diante do seu jardim, um jardim que fica à sombra de uma árvore, criando uma imagem belíssima em nossos pensamentos e fazendo-nos evocar as ninfas que tanto amam os bosques e os jardins. Assim, é a flor do Pequeno Príncipe, para ele, o tesouro maior.

Todos nós temos um tesouro dentro e fora das nossas almas cheias de sentimentos diversos, que muitas vezes são incompreendidos pelo próximo, mas que nos tornam gigantes quando apresentamos cuidados além do esperado por pessoas egoístas que ainda acreditam o tesouro ser apenas bens materiais.

Um tesouro é tudo aquilo que você guarda nas profundezas da sua alma, num lugar seguro, dentro de um baú trancado a sete chaves para que ninguém tenha acesso, porque só você sabe o valor que ele tem.

Cada pessoa tem um tesouro que pode ser desde uma folhinha velha de um cajueiro até um cálice de ouro. Os tesouros são os mais diversos. Eles se apresentam nos poemas e canções assim como nas histórias infantis, nas quais os piratas de perna de pau combatiam nos mares com outros piratas atrás de tesouros que os enriqueceriam materialmente. Aqui, vale o tesouro que enriquece o afeto, o cuidado, o espírito.

O Pequeno Príncipe necessitava cuidar da sua rosa porque era a única e, mesmo depois de descobrir, quem sabe, o jardim de Jean Sartief, ainda assim não deixou de amá-la nem por um segundo. Há um principezinho que tem apenas uma flor no universo, enquanto há um poeta que tem um jardim inteiro e ambos sabem que devem cuidar dos seus tesouros como quem cuida de si mesmo todos os dias, ou seja, fazendo os mais lindos mimos que se pode esperar de quem nos ama.

É preciso cuidar para não deixar morrer e para não deixar que o tempo nos destrua ou destrua os sentimentos surgidos do quase nada e que viraram tanto dentro da gente.

Na ética do cuidado, os cuidadosos estão sempre vigilantes com aqueles que são cuidados. É preciso ser cauteloso e valente para saber cuidar das coisas frágeis, ou seja, das coisas e das pessoas que, por serem delicadas demais, nos pedem cuidados mais atenciosos.

Quando se tem apenas uma flor no mundo que é tudo, além de amiga, é importante saber cuidar dela para que nenhum bicho ou homem a maltrate. Também é preciso cuidar de um jardim inteiro, porque muitas vezes o tesouro pode ser pesado, imenso, grande por demais, porém, a sua essência exige cuidados que o proteja das pragas, dos insetos, dos pés dos homens ignorantes e daqueles que gostam de arrancar flores só para vê-las morrerem em suas mãos.

Um poeta e um principezinho se encontram quando não importa a quantidade, mas o cuidado que é dedicado ao objeto que ganha espaço nos seus corações sensíveis e meigos.

Vivemos tempos em que poetas estão sendo construídos com a inteligência artificial para fazer amigos, cativar e demonstrar cuidados, mas nunca substituirão o verdadeiro homem, como é o caso do app Replika. Este app é um amigo virtual que pode nos escrever poemas caso peçamos.

O poeta de carne e osso não é programado para dar respostas prontas, mas para estar pronto a amar do seu jeito aqueles que precisam dos seus cuidados, mesmo nos momentos em que ele, o poeta ou o principezinho, também precisam de cuidados. Como se diz o velho ditado: eu esqueço a minha dor para cuidar da tua, amigo.

Nessa vida, em que o tempo é o senhor que diz as ordens de como devemos viver, todo cuidado se faz pouco com as coisas que são importantes para nossas almas.

A flor do Pequeno Príncipe era abusada e o deixava preocupado com as suas esquisitices de se fingir de morta só para deixá-lo preocupado, isso porque temia que ele descobrisse a existência de outras flores. O jardim de Jean acalma o seu coração de jardineiro e suas flores parecem ser tranquilas e não ciumentas, mas, ai dele se deixá-las sozinhas, logo morrerão sem cuidados. Assim são as flores cheias de bonitezas e ao mesmo tempo de uma fragilidade que requer zelo redobrado.

Quem tem apenas um amigo precisa cuidar muito bem dele, pois é o seu único tesouro; não é diferente de quem tem um milhão de amigos, pois também precisa cuidar bem de todos e se desdobrar em cuidados que vão exigir tempo e renúncias muitas vezes para ficar ali do ladinho, sempre fortalecendo os laços e ratificando o seu grande amor.

Se não aprendemos a cuidar bem dos nossos amigos, vai chegar o dia em que todos partirão e ficaremos sozinhos.

Tem gente que gosta de ter um jardim inteiro, assim como Sartief, já o nosso principezinho se contentava com a sua única flor. De qualquer modo, o que importa é a amizade, é o tempo que dedicamos a essas criaturas tão especiais para nós que se tornam grandiosas e fascinantes às nossas almas.

Também não é verdade quando as pessoas dizem que quem tem um não tem nada. Tem muita coisa, sim. Como disse anteriormente, não importa quantidade. Vale muito o cuidado e o amor existente a quem temos ao nosso redor.

Uma flor ou um jardim inteiro sempre nos darão trabalho e sempre demonstrarão necessidade de carinho e afeto no momento em que fizermos um sinal de viagem para longe, pois logo sentirão a nossa falta. Que saibamos cuidar da nossa flor ou do nosso jardim, o que fica é o cuidado à sombra de uma árvore ou em volta de uma redoma.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alexsandro Rosset

Nós, os fanáticos

Todos estamos sujeitos ao fanatismo, porque a base dele está dentro de todos nós, no pensamento infantil ou primitivo que todos um dia já praticamos

Os anos vão passando e a gente encontra um amigo que se fanatizou. Não era assim. Mas agora ele é fanático, por exemplo, por um clube de futebol, acompanha a torcida até fora do Brasil. Pode estar fanático por um líder político, só fala naquele líder político, por uma religião, por um tipo de alimentação.

Não precisamos nos surpreender, todos somos fanatizáveis. Ao final, vou contar uma das vezes em que me tornei fanático.

Como funciona esse processo?

Uma determinada ideia vai se tornando supervalorizada por nós. Passamos a, gradativamente, mais e mais pensar nela, seja ideia política, religiosa, um modismo. E a ideia vai avançando, avançando, e tomando conta. Nesse momento, ela aproxima-se de uma ideia delirante. Mas não é. Para ser teria de haver uma alteração na bioquímica do cérebro, ser uma falsa crença, não corrigida pela realidade e ir se expandindo e tomando conta do pensamento. No caso referido, não há alteração na bioquímica do cérebro a causá-la. E se a pessoa se afastar daquele meio cultural, seja da torcida do futebol, do movimento político, ela tem possibilidade de sair da “bolha”. Pode continuar com pontos de concordância, mas terá crítica.

Se é uma doença da bioquímica do cérebro, como esquizofrenia, por exemplo, não adianta se afastar. Enquanto essa bioquímica não for corrigida por medicamentos apropriados, a pessoa não se liberta. Portanto, trata-se aqui de um problema cultural.

Todos estamos sujeitos ao fanatismo, porque a base dele está dentro de todos nós, no pensamento infantil ou primitivo que todos um dia já praticamos.

Chamado comumente de pensamento maniqueísta, tende a dividir as pessoas em boas e más, entre os que sabem e os que não sabem, entre os que tem a verdade e os que não tem.

Assista também: Mandela e Gandhi não eram maniqueístas.

Esse nosso amigo, que agora encontramos fanático, não está tão distante de nós. Costumo me observar quando estou a defender uma ideia: será ela tão verdadeira assim como de início está me parecendo? Inclusive, me dei conta disso em plena palestra/debate para centenas de pessoas. Enquanto eu defendia o valor da ciência, de sempre duvidar, o outro palestrante e amigo defendia o valor de crer. Ele defendia sua posição com uma convicção fanática.

Pois bem, a certa altura, dei-me conta, eu estava igual: defendia fanaticamente a ciência. Ele tinha a verdade. Eu tinha a verdade. Havia me contaminado. Havia, de repente, me tornado um fanático.

Ao me dar conta, diminuí o tom, aceitei tecer críticas ao método científico. E… perdi o debate!

Autor: Jorge Alberto Salton

Edição: Alexsandro Rosset

Livres, mas conectados na teia da existência

“Nossas vidas não são nossas. Estamos vinculados a outras, passadas e presentes. E de cada crime, e cada ato generoso nosso, nasce nosso futuro.” (Frase filme “A Viagem)

Tudo está conectado. Nada há que desminta tal fato. Pelo contrário, não faltam evidências. Porém, nem sempre a história segue uma trajetória linear. Às vezes, ela lembra mais a mecânica quântica do que o método cartesiano de causa e efeito. Na descrição microscópica proposta pela física quântica, alguns conceitos do nosso cotidiano são desafiados, dentre eles, o de causa e efeito.

No mundo subatômico, o efeito pode anteceder à causa, por mais irracional que isso pareça. Seria como se fôssemos diretamente influenciados pelo futuro, tanto quanto pelo passado (ou até mais). Destoando de seu mestre Freud, Carl Jung, psicanalista suíço, acreditava nesta possibilidade. Pierre Teilhard de Chardin, o teólogo e antropólogo francês, dizia que toda a criação é atraída pelo que chamava de Ponto Ômega.

Ora, os que se atrevem a crer em profecias, creem que o futuro exerça poder sobre o presente, de modo que o efeito preceda a causa na linearidade histórica. Recebemos sinais vindos do futuro o tempo inteiro.

Por isso, não faz sentido ficarmos presos a uma espécie de carma, sendo assombrados pelo passado. Há que se romper o cordão umbilical, ficando livre para avançar na direção do futuro.

Nossa conexão com o passado, entretanto, não se desfaz, assim como a criança não perde seu elo com a mãe depois que seu cordão umbilical é aparado. Se antes fomos carregados em seu ventre, agora a carregaremos em nosso DNA. Seremos, por assim dizer, a extensão de sua existência. Fora do ambiente intrauterino podemos alcançar estatura antes inimaginável. O ventre, entretanto, cumpriu o seu papel, embalando-nos por nove meses, até que estivéssemos prontos para o mundo exterior.

Estamos conectados com nossos contemporâneos, pois partilhamos o mesmo ar, a mesma realidade, a mesma ancestralidade, visto que todos descendemos de um ancestral comum. Somos atores no mesmo palco existencial, ainda que com falas diferentes. Mesmo a nossa felicidade está vinculada à felicidade de nossos companheiros de jornada.

Enfim, tudo está interligado. A existência é uma grande teia. Qualquer vibração em suas extremidades balança toda a sua estrutura.

No dizer de Paulo, somos membros uns dos outros, de sorte que, se um sofre, todos sofremos, se um se alegra, todos nos alegramos.

Que aprendamos com a aranha, listada em Provérbios de Salomão entre os quatro exemplos de sabedoria, tendo cuidado para que a teia que nos conecta a tudo nos sirva de pavimento na direção do porvir, mas jamais nos enrede, enclausure ou embarace o nosso caminhar (Pv.30:28).

Autor: Hermes C. Fernandes

Edição: Alexsandro Rosset

Homeschooling?

A importância da escola no exercício desta prática é imensa. Inaugura o caminho em direção a uma vida civilizada. Cabe à escola o papel de introduzir os estudantes e suas famílias no trato com as fronteiras dos diferentes territórios familiares (atualmente muito distintos) montando as bases da sociedade civil.

As ondas de doenças infecciosas no Brasil, iniciadas em 2018, continuam contaminando, em média, 25% da população. A primeira onda, em 2018, foi a dos alienados. A segunda onda chegou com a nave dos insanos. Morreu muita gente. A terceira reuniu os dementes, contaminados pelo vírus do ódio e da destruição do Estado e, a última, a do homeschooling, envolveu o desassossego de muitas famílias brasileiras.

Homeschooling é tema sobre o qual grande parte dos especialistas está de acordo entre si. A ideia não é boa, em princípio em razão de isolar a criança do convívio social. Mas é importante ressaltar: escola é uma coisa, família é outra. Separar para aproximar o caminho a ser percorrido.

Vários educadores renomados e com experiência na área educacional analisaram o tema e justificaram a inadequação do homeschooling à realidade brasileira citando, inclusive, problemas ligados à alimentação e à violência familiar. É sugestivo acrescentar, à discussão pedagógica, uma abordagem política.

Qual a origem deste hábito, homeschooling? Onde encontramos seus fundamentos? No exclusivismo da percepção dos membros de uma só família? No receio da diferença entre os humanos? Na impossibilidade de uma vida em uma comunidade política presidida pela liberdade de expressão e discussão?

Dentre os motivos destaco alguns deles. O primeiro se refere à forma de tratar “verdades”. Palavra com protagonismo em tempos de fake news. A suposição, por parte de algumas famílias, da existência de uma só verdade justifica os pais desejarem manter os filhos distantes de questionamentos envolvendo as suas convicções. A sensação de conhecer “a verdade única” e o fato de existir muita violência fora de casa justificam o esforço dos pais de proteger e isolar os filhos do perigo.

O segundo problema diz respeito à formação dos professores. As transformações ocorridas no mundo contemporâneo e a necessidade de preparar os jovens para os desafios de gênero, novas tecnologias e emprego (entre outros) exigem do professor e da escola um enorme preparo emocional, científico e cultural. Infelizmente grande parte dos professores brasileiros não recebeu formação adequada para os imensos desafios da atualidade e sobre eles recai a exigência de construir o difícil equilíbrio entre os estudantes, as famílias, a escola, a tecnologia e o mundo conectado nas redes.

O terceiro desafio diz respeito à incapacidade do Estado, por falta de recursos e qualificação da mão de obra, de montar estruturas para a conciliação entre família, escola e sociedade. O desafio é imenso, se, de fato, a intenção for conciliar. Por um lado, a família quer respeito aos seus pressupostos educacionais e, por outro, a escola tem que conciliar as diferenças entre as famílias, os professores e o sistema educacional.

É fácil? Não.

A importância da conciliação é enorme. Trata-se de um ensaio geral dos conflitos que permeiam a sociedade brasileira e o mundo. O primeiro ensaio da vida em sociedade é marcado pelo conflito e conciliação experimentados na escola. O tema (conflito e negociação) permeia não só os vínculos escolares, como se constitui em pauta de todas as relações em nível pessoal, nacional e internacional.

A importância da escola no exercício desta prática é imensa. Inaugura o caminho em direção a uma vida civilizada. Cabe à escola o papel de introduzir os estudantes e suas famílias no trato com as fronteiras dos diferentes territórios familiares (atualmente muito distintos) montando as bases da sociedade civil.

A negociação é uma arte própria da política. A negociação se ensina e se aprende, da mesma forma com que ensinamos e aprendemos física. A arte da retórica, da definição de hipótese, da argumentação e comprovação, a montagem do contraditório e a solução dos impasses são fruto de um extenso aprendizado. Nascemos com mais habilidade para brigar do que para conciliar. Em caso de dúvida, observem as crianças.

No Brasil, os brasileiros conheceram, ao longo de sua história, o pensamento único, o autoritarismo e seus heróis. Pobres e ricos foram preparados, cotidianamente, para mandar e obedecer, apenas. A frase: “Você sabe quem está falando?” tem origem em solo brasileiro.

A escola e a simples alfabetização foram, por anos, deixadas de lado. É justo cobrar das escolas com tão poucos recursos e professores mal pagos, criar as condições para resolver os imensos conflitos propostos pela modernidade?

É o que está acontecendo.

O problema ficou grande demais e os pais das crianças sem condições de enfrentar os desafios do contraditório postos no mundo atual resolveram: “Pelo amor de Deus fiquem em casa, não quero mais problemas no meu dia a dia”.

A proposta de homeschooling é um grito de desespero das sociedades democráticas, educadas democraticamente apenas na sua cúpula, mas autoritárias nas suas extensas bases. Fala-se muito em contraditório. Mas enfrentar o contraditório numa reunião de pais, em escolas de periferia, com professores nem sempre habilitados para este enfrentamento, não é fácil.

A dúvida, precioso ingrediente da razão, aliada da dedução, da experiência e da comprovação, é ingrediente sofisticado na vida escolar. É fruto do conhecimento, das práticas científicas e da razão. Precisa ser ensinada e praticada cotidianamente.

É fácil fazer a pergunta certa diante de um problema? É fácil defender a razão?

Não. Precisa de aprendizado em filosofia.

A narrativa desenvolvida no ambiente familiar é voltada para as emoções, afetos cotidianos, tradições e hábitos próprios à cada família. Já na escola as práticas retóricas visam ao debate, a elaboração de argumentos, o respeito ao contraditório e o uso da razão. Crianças na escola participam de uma microexperiência do viver em sociedade, na pólis. Elas descobrem, brincando, que os vizinhos, mesmo aqueles de hábitos diferentes, não são inimigos. A escola, por meio dos professores, patrocina, administra e protege o respeito à diferença criando as condições para um convívio sadio, sem exclusões.

O professor pode explicar, por exemplo, a sofisticação que envolve comer com pauzinhos sem levar à mesa instrumentos cortantes; é costume no Oriente, onde a faca, por educação, não deve ser levada à mesa. Ou, ainda, o hábito, delicado, de levar o seu próprio guardanapo ao ir comer na casa de amigos.

Conhecer e viver amigavelmente tanto com os vizinhos, defensores da floresta, como com os parceiros comerciais sejam eles chineses ou indianos (entre outros), é tarefa importante na montagem de um mundo civilizado e globalizado.

As descobertas proporcionadas pelo convívio na escola são muitas. Vão além de ensinar a ler, escrever e contar. A escola nos ensina a viver em sociedade, reconhecer o justo para além da família, compreender proporções, avaliar, se existe ou não, a equidade e a isonomia no país em que se vive.

A raiz da democracia é a amizade. Ela é a artesã do tecido social. O tear é a escola capaz de fazer a trama entre a família, os amigos e a escola, compatibilizando velhos e novos hábitos. Só com o auxílio do diálogo entre os amigos estudantes, a família e a escola, é possível diminuir a tensão dos problemas fronteiriços.

Os desafios do mundo contemporâneo são imensos e exigem a formação de um novo profissional capaz de conciliar as partes em conflito. Isolar os estudantes em casa, proibir amizades entre adolescentes é colocar lenha na fogueira. A família fechada tende à exclusão, do amigo, do emprego, da participação política. Não raro silencia ou desqualifica o Outro, o diferente, o forasteiro, o estrangeiro com feições e hábitos distintos. A família tende a preservar a autoridade do patriarca, garantir o seu poder, a sua riqueza e, muitas vezes, sem perceber, estimula o medo à diferença.

Viver envolve risco?

Sim?

É possível viver isolado?

Difícil.

Precisamos da sociedade para sobreviver, expandir os afetos, fazer amigos, arranjar emprego, praticar esportes, nos divertir e rir. Se precisamos da vida em sociedade, é melhor saber lidar com ela. Reconhecer os lugares amigáveis, os perigosos e, especialmente, ter consciência do projeto de vida possível de levar à frente.

A escola representa a pólis, a vida na cidade, lugar do ajuste, difícil, entre as partes. A variedade de professores em uma escola, de conhecimento e de sensibilidades variadas permite ao estudante encontrar distintos modelos de identidade.

E, entre inúmeras variáveis, por meio da prática do seu livre-arbítrio, escolher os amigos e qual será o desenho, possível, para o seu projeto de vida.

Ser livre é perigoso?

Sim.

Vale a pena caminhar?

Do meu ponto de vista, sim.

Trata-se de um exercício, longo, de fineza de espírito.

Temos problemas gravíssimos na educação brasileira, gerando falta de percepção de valor pelos estudantes e famílias de diversas classes sociais. Mas, se o barco está furado, precisamos nos concentrar em consertá-lo, e não oferecer salva vidas para quem pode, enquanto olham de longe o barco naufragando com 99,9% dos passageiros agonizantes. (Autor: Amilton Rodrigo de Quadros Martins) Leia mais: https://www.neipies.com/o-homeschooling-e-a-sentenca-de-morte-da-educacao-integral/

Fonte: Este artigo foi publicado em Jornal da USP. Link: https://jornal.usp.br/artigos/homeschooling/

Autora: Janice Theodoro da Silva, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

Edição: Alexsandro Rosset

Neri Gomes: uma vida dedicada à política e à cidade

Neri Gomes é um agente político bastante conhecido em nossa cidade. Já foi vereador por 2 mandatos, assessor parlamentar, fez parte do Sindicato dos Comerciários, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Regional Planalto, presidente do Conselho Municipal de Saúde, dentre outros serviços políticos já prestados em nossa cidade. No momento, ocupa temporariamente (por um mês) mandato parlamentar por conta da inédita iniciativa do rodízio de suplentes com mais de 500 votos do seu partido, o PT (Partido dos Trabalhadores), em 2022.

Neri Gomes sempre teve uma postura combativa, com muita clareza e convicção nas discussões e nas proposições legislativas.

Acompanhamos e prestigiamos sua valorosa trajetória política em Passo Fundo, RS, e queremos, neste momento, destacar sua atuação e sua percepção do atual momento político que vive a cidade, o Estado do RS e o Brasil.

SITE NEIPIES: Conte-nos, brevemente, um pouco mais de tua trajetória política. Alguma atividade política como destaque?

Neri Gomes: Tivemos vários momentos de bons debates políticos nestes quase 40 anos de militância no movimento sindical, comunitário e na defesa da saúde pública SUS, e mais o PT, é claro.

A conquista do Campus de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem uma grande importância na economia do município e na vida das pessoas porque viabiliza que estudantes das escolas públicas e filhos de jardineiro, de professores, de pedreiros, de metalúrgicos, etc, se tornem médicos, como se diz no popular, se tornem Doutores. Eu tive um papel importante nesta conquista da UFFS, que eu queria destacar.

SITE NEIPIES: Como e porque a política te cativa tanto?

Neri Gomes: A verdadeira política é a arte de construção de espaços públicos e coletivos na inclusão dos vulneráveis nas políticas públicas dos governos.

Na verdade, eu tenho o entendimento que Lula falou na fundação do PT: todos os movimentos sociais e sindicais são importantes, mas todos tem um teto na construção da política. Quem elabora as propostas, quem aprova as leis são os parlamentares nas três instâncias e quem faz acontecer a política são os executivos. Neste caso, entendo que os trabalhadores(as) tem que estar também nos parlamentos para garantir o debate e aprovação dos projetos importantes para a classe trabalhadora. Eu sempre fui um entusiasta da função legislativa.

SITE NEIPIES: Qual é a importância do PT (Partido dos Trabalhadores) ter conquistado novamente uma cadeira na Câmara de Vereadores ocupada pela vereadora Eva Valéria Lorenzato?

Neri Gomes: Na minha opinião, a Câmara de Vereadores sem a presença de vereador(a) do PT não tem oposição política e programática. Nós temos muito a contribuir no parlamento, nossos parlamentares tem feito diferença nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas e no Congresso Nacional.

SITE NEIPIES: Que importância tem o rodízio que o PT realiza com os três suplentes de vereadores assumindo um mês de mandato parlamentar na Câmara de Vereadores de Passo Fundo?

Neri Gomes: Penso ser um momento histórico para o partido na construção de novas lideranças e do próprio PT e da valorização de quem colocou o nome para contribuir na legenda, até porque em Passo Fundo nunca tivemos vereador que se elegeu sozinho, sem contar os votos da legenda.

SITE NEIPIES: Como foi assumir novamente a função parlamentar nesta cidade depois de alguns anos sem mandato?

Neri Gomes: Mudaram muitas coisas, a conjuntura política é outra. O momento agora é outro, com a informatização e as redes sociais mudou bastante a forma de se comunicar com a cidade, com as lideranças, mas as lutas, infelizmente, continuam as mesmas. Muito mais difícil é retomar as conquistas que já tínhamos e perdemos quase tudo, com o crescimento da extrema direita em nossa cidade.

SITE NEIPIES: Na sua visão, qual é a característica e o perfil dos vereadores eleitos nesta atual legislatura?

Neri Gomes: Na minha opinião, hoje a Câmara de Vereadores tem uma maioria que não conhece o que são políticas públicas, não conhece os programas dos seus partidos e não consegue fazer e propor debate programático e ideológico.

SITE NEIPIES: Quais foram suas prioridades e iniciativas neste mandato parlamentar extemporâneo de um mês?

Neri Gomes: Foi prioridade a defesa da saúde pública e a importância do SUS e, dentro deste tema, recuperamos o debate ambiental com a coleta seletiva e a reavaliação do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos de Passo Fundo.

SITE NEIPIES: Política e eleições gerais em 2022.Como avalias?

Neri Gomes: Penso que estas eleições são as mais importante dos últimos anos, estamos sendo desafiados a construir programa de governo que possa recuperar o Brasil, mas também nos desafia a eleger o maior número de parlamentares de esquerda pra viabilizar sustentação de eventual governo do presidente da República Lula e, no estado RS, a mesma coisa.

SITE NEIPIES: Que mensagem deixas a todos os cidadãos e cidadãs da cidade de Passo Fundo?

Neri Gomes: A minha presença na Câmara de Vereadores mesmo que só por 30 dias mostrou a importância de um mandado que faça o enfrentamento programático e consiga dialogar com as lideranças partidárias do partido e do movimento sindical e popular. Sei que tenho um perfil diferente da vereadora Valéria que vem fazendo um bom mandato, por isso nosso desafio é aumentar a bancada de vereadores do PT na próxima eleição municipal.

Fotos: Divulgação/ Arquivo pessoal

Edição: Alexsandro Rosset

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